Maranhão

2026 promete ser uma nova “primeira eleição” de nossa república

As eleições deste ano serão um marco histórico em virtude da atual conjuntura política no Brasil, mas pode ser palco de grandes controvérsias e abusos pelo medo de alguns em perder o Poder.

Chegamos em 2026 inspirados com todo aquele velho pacote de sonhos, promessas, planejamentos e realizações, renovados em novos objetivos a serem trabalhados neste novo ano que se inicia. Mais que o início de uma nova etapa na vida das pessoas, 2026 sem dúvidas é o ano da “virada de chave” na política nacional, uma vez que estamos num dos momentos mais conturbados de nossa república.

O ano de 2025 foi marcado por uma sucessão de acontecimentos tão assustadores, pra dizer o mínimo, que fica difícil encontrar adjetivos que descrevam a completude caótica de nossa realidade política atual. É notório a inversão institucional aplicada nos organismos de Poder, sem que qualquer instrumento corretivo seja executado, onde uma caneta Suprema ganha status de “palavra final” ou mesmo de ultimato decisório (uma espécie poder moderador republicano, porém com toga). A coisa é tão séria que a população sente uma inoperância tanto dos nossos mecanismos constitucionais de controle (freios e contrapesos) quanto dos agentes políticos no Legislativo, a ponto produzir nas pessoas uma conformidade mórbida com todo este absurdo.

A promessa de mudança deste cenário tenebroso que vivenciamos chega com algumas frentes de ação que seguem operando com a ferramenta da denúncia, que expõe fatos, elucida circunstâncias latentes que servem de fundamentos para análises preditivas e que emulam soluções mais efetivas de recuperação de nossa saúde social e institucional. A julgar pelas figuras políticas que temos é possível afirmar que as eleições deste ano (2026) serão a tal “virada de chave” que vai resgatar a nossa democracia? A resposta é complexa, pois envolve uma série de questões um tanto quanto indigestas para a opinião pública. Porém, longe de qualquer visão premonitória, fato é que as eleições deste ano serão as mais difíceis da Nova República.

Alguns atores principais do “espetáculo eleitoral” estão se remodelando através de artifícios camaleônicos no intuito de convencer o eleitorado de que são políticos de excelência (os quais nunca foram!). Aqui no Maranhão a coisa é ainda mais vexatória (pra variar!). Algumas das caducas figuras políticas que vão disputar, por exemplo, vaga para o senado já entoam suas mentiras sinceras – travestidos nos carcomidos chavões politiqueiros – buscando arrancar a simpatia que se traduzirá no voto. A atual senadora Eliziane Gama (PSD-MA) tenta costurar laços emocionais através da religião, esboçando uma autopiedade lúdica para justificar sua atuação militante fervorosa (capitaneada pelo dinismo) em favor das pautas pró-governo Lula. Porém, foi desmascarada por sua própria postura política, resultando no profundo desgaste político de sua imagem no meio gospel (sua base eleitoral), abrindo espaço para seus rivais do mesmo ambiente e conseguindo apenas um lapso de misericórdia dos seus irmãos de igreja. Weverton Rocha (PDT-MA) nem precisa comentar! Segue sua sina apoteótica de redenção política em meio a tantos escândalos de corrupção que sua imagem se mistura ao que há de mais vexatório na política maranhense e nacional.

Já para o governo do Maranhão a disputa parece ser muito mais uma demarcação histórica de grupos de Poder do que conquista eleitoral. O cenário encontra terreno fértil para a confrontação direta do vale-tudo, o que pode ser vantajoso em certa medida no sentido de que muita coisa que está confinada nos bastidores pode vir à tona – o que vai tornar o processo eleitoral em processo judicial. Lahésio Bonfim (NOVO-MA) continua tranquilo navegando com a pecha de candidato da Direita maranhense e contando com seu histórico positivo de gestor público quando prefeito de São Pedro dos Crentes-MA. Seu principal problema é a questão da aliança política que pode, além de fortalecer sua coligação, sobretudo com o apoio do atual prefeito de São Luís (Eduardo Braide), pode render uma possível ida para o segundo turno – o que pode facilitar a conquista da cadeira de governador do Maranhão em 2027.

A disputa para o Congresso Nacional e ALEMA ainda é relativamente imprevisível, pois ainda não há definição real, mas apenas aparente, e como a dinâmica da política é muito volúvel acredita-se que alguns nomes que ocupam os cargos como parlamentares atualmente podem não concorrer em suas respectivas cadeiras (seja estadual ou federal). Fato é que haverá uma “dança das cadeiras” em 2026, especialmente para alguns dos apoiadores do governo Lula – já que foram anos de retração econômica, irresponsabilidade fiscal e gastos excessivos, diminuição do poder de compra, corte de benefícios sociais, explosão de escândalos de corrupção envolvendo uma plêiade de ícones da política, além de caos institucional e jurídico que se traduz em perseguição a adversários políticos e desrespeito à ordem constitucional.

Ainda estamos o primeiro mês de 2026 e as coisas seguem em processo de conversação, análise entre as divergências e das convergências, enfim, há muito o que acontecer antes de alguma definição. Certamente a base de toda conversa não será apenas sobre comprometimento, mas principalmente sobre cumprimento, haja vista que os sorrisos de muitos personagens eleitos nas eleições de 2022 se configuraram nos dentes rangendo de hoje, ornamentando os rostos das vítimas das promessas dos “desalmados sem palavra”. Só nos resta aguardar os próximos atos deste espetáculo que transita entre a comédia e o drama, mas que esperamos não terminar em tragédia.

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