Presidente do PT informa que Lula não apoiará Orleans Brandão no Maranhão; governador deve oferecer nome de Iracema para o governo
Durante reunião realizada no evento nacional do Partido dos Trabalhadores, em Salvador (BA), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, comunicou a um grupo de integrantes do partido no Maranhão que o presidente Lula não apoiará a candidatura do sobrinho do governador, Orleans Brandão (MDB), ao governo do estado em 2026. Isso significa um "não" ao projeto familiar do chefe do Executivo.

A sinalização foi direta e, segundo relatos de participantes do encontro, encerra a tentativa do governador Carlos Brandão de emplacar o sobrinho como candidato dentro da Frente Brasil da Esperança, federação comandada pelo PT e integrada também por PCdoB e Partido Verde.
Nos bastidores da direção nacional, a avaliação é de que apoiar Orleans Brandão significaria chancelar um projeto de sucessão familiar, algo considerado incompatível com a linha política defendida pelo PT e pelo próprio presidente Lula. O entendimento exposto em Salvador é de que o Maranhão não pode ser tratado como herança política nem como extensão de um projeto pessoal.

Segundo informações de bastidores, Lula já havia tratado do tema com Carlos Brandão no fim de 2025, quando indicou que o caminho político esperado para o governador seria uma candidatura ao Senado da República. Isso teria o apoio da Federação e do próprio presidente Lula. Para isso, Brandão teria de se afastar do comando do Executivo estadual, abrindo espaço para que o vice-governador Felipe Camarão (PT) assuma o governo e dispute a eleição em 2026. Ele é hoje o pré-candidato do PT ao Palácio dos Leões e mantém diálogo permanente com a direção nacional do partido.
Com a rejeição ao nome de Orleans Brandão, aliados do governador passaram a trabalhar, nos bastidores, a possibilidade de oferecer o nome da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, como alternativa ao governo em substituição a Orleans. Na semana passada, alguns petistas, sem poder nenhum de decisão nacional, chegaram a ventilar a filiação ao PT e o nome da deputada para o Senado, mas sem qualquer força ou capacidade de influenciar a cúpula que realmente manda.

No entanto, essa hipótese de filiar Iracema ao PT para oferecê-la como candidata ao governo também enfrenta forte resistência no PT nacional.
Dirigentes petistas avaliam que Iracema Vale é aliada de primeira hora de Carlos Brandão e figura central do grupo político que, ao longo de mais de três anos de governo, promoveu o isolamento e o esvaziamento do campo, responsável por dar sustentação decisiva à eleição do atual governador em 2022. Esse processo teria sido marcado por demissões, punições políticas e retirada de espaços, o que gerou desgaste profundo dentro da base original.
Além disso, pesa contra Iracema sua filiação ao MDB e a ausência de identidade com o PT nacional e a federação. Nos bastidores, a leitura é de que seu nome não representa recomposição nem unidade, mas a continuidade de um modelo considerado excludente.
A reunião em Salvador deixou um recado claro: Lula não vai com Orleans Brandão, e a tentativa de impor alternativas ligadas diretamente ao brandonismo encontra resistência na cúpula nacional do PT. O cenário amplia a pressão sobre o governador e reposiciona o debate da sucessão estadual no Maranhão.
Blog Silvia Tereza



