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O Camaleão do Poder: A Ética de Ciro Nogueira no Balcão de Negócios

​A política brasileira é, para muitos, a arte do possível. Mas, para figuras como Ciro Nogueira, ela parece ser a arte do cinismo absoluto. A notícia de que o presidente do Progressistas — até ontem o “escudeiro fiel” de Jair Bolsonaro e voz estridente contra o “petismo corrupto” — agora senta-se à mesa com o PT para costurar alianças em 10 estados é o retrato de uma elite política que não possui ideologia, apenas folha de pagamento.
​O Teatro da Polarização
​O que vemos aqui é o desmoronamento da máscara. Enquanto as bases eleitorais se digladiam nas redes sociais e famílias rompem laços por causa de “Lula vs. Bolsonaro”, o cacique do Centrão mostra que nada disso importa quando o que está em jogo é o quinhão de poder.
​A suposta oferta de abandonar Flávio Bolsonaro no altar é a prova cabal de que, no submundo do PP, a lealdade dura exatamente o tempo necessário para o próximo depósito de fundo eleitoral ou a próxima nomeação de cargo. É a canalhice institucionalizada:
​Pela manhã: Críticas ferozes ao “desgoverno” atual.
​À tarde: Ofertas de “pacto de não-agressão”.
​À noite: A rifa de antigos aliados em troca de sobrevivência política.
​O Piauí como Moeda de Troca
​O cinismo atinge seu ápice no desenho estratégico para o Piauí. O pacto de “não-agressão” nada mais é do que um cartel político. Eles fingem que se enfrentam para manter as aparências diante do eleitor piauiense, enquanto, nos bastidores de Brasília, brindam à manutenção de suas castas. É o uso do estado como feudo particular, onde o povo é apenas o figurante de um roteiro já escrito.
​A Sobrevivência dos Parasitas
​Ciro Nogueira personifica o parasitismo estatal. Ele não lidera por ideias, mas por conveniência. Se o vento sopra à esquerda, ele se descobre um moderado pragmático; se sopra à direita, torna-se um conservador de ocasião. Essa “flexibilidade” não é habilidade política; é ausência de caráter público.
​No fim das contas, a mensagem enviada ao brasileiro é clara: não existem princípios, apenas interesses. O eleitor é o único que leva a sério uma briga que, nos gabinetes acarpetados,
termina sempre em um acordo de compadres onde ninguém perde, exceto a coerência.
Para entender a profundidade do comportamento canalha, é preciso olhar para o retrovisor. Ciro Nogueira não é apenas um político que muda de opinião; ele é um profissional da sobrevivência governista. Ele aperfeiçoou a técnica de ser oposição ao candidato durante a eleição e se tornar o “melhor amigo” do eleito antes mesmo da posse.
​Aqui está a cronologia do camaleonismo de Ciro Nogueira:
​1. A Era PT: O “Pelé” de Lula
​Durante os governos Lula e Dilma, Ciro Nogueira não era apenas um aliado; ele era um entusiasta.
​O elogio histórico: Em 2017, em entrevista, ele chegou a dizer que Lula foi o melhor presidente que este país já teve, especialmente para o Piauí e o Nordeste.
​O apoio a Dilma: Esteve na base de apoio de Dilma Rousseff até o último minuto em que o poder dela foi útil. Quando o navio começou a afundar, ele e o PP foram os primeiros a pular fora para ajudar a empurrar o impeachment.
​2. A Transição Temer: A Ponte para o Futuro (e para os Cargos)
​Assim que Dilma caiu, Ciro não perdeu tempo com “luto”. Tornou-se um pilar do governo Michel Temer, garantindo que o PP mantivesse o controle de ministérios estratégicos (como a Saúde e a Caixa Econômica Federal). Ali, ele consolidou o PP como a “dona” do cofre do Centrão.
​3. O Bolsonarismo: De “Fascista” a “Primeiro-Ministro”
​A virada para o governo Bolsonaro foi a mais drástica e, para muitos, a mais vergonhosa:
​Antes da eleição: Ciro Nogueira chamava Bolsonaro de “fascista” e dizia que ele tinha um caráter preconceituoso.
​Depois da eleição: Assim que o governo Bolsonaro precisou de blindagem contra o impeachment, Ciro esqueceu os adjetivos e tornou-se o Ministro da Casa Civil. Ele passou a ser o “fiador” de Bolsonaro, defendendo-o com unhas e dentes e atacando o PT — o mesmo PT que ele hoje volta a cortejar.
​4. O Cenário Atual: O Retorno às Origens
​Agora, em 2026, o ciclo se fecha. Após passar quatro anos chamando o PT de “quadrilha” e “atraso”, ele volta a procurar a cúpula petista. O motivo? O PP precisa de cargos, verbas e influência regional para não murchar.

Conclusão: O “projeto de país” de Ciro Nogueira é, invariavelmente, a permanência de Ciro Nogueira no poder. Ele trata partidos como empresas de aluguel e o eleitor como um detalhe irrelevante no contrato.

Da redação do PR7 News

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