Mical Damasceno quer o melhor dos dois mundos, sem ser cobrada por isto
Adotando uma postura política dicotômica e arriscada, a deputada Mical quer votos do bolsonarismo ao mesmo tempo que anda de mãos dadas com o lulista Carlos Brandão

O período carnavalesco já passou, mas continua gerando frutos dos mais animados na Sapucaí do cenário político maranhense, sobretudo no quesito “fantasia”. É notório que a polarização é o condimento principal das eleições de 2026, haja vista todos os acontecimentos que construíram o panorama hostil da política nacional, e que reverbera especialmente no Nordeste. No Maranhão não poderia ser diferente.
Aqui temos uma casta de foliões políticos que não medem qualquer esforço para parasitar força para si, melhorar sua imagem pública ou, o que é pior, de se aliar com seus próprios inimigos políticos para se elegerem, como no caso da deputada estadual Mical Damasceno (PSD-MA). Mical tem ocupado espaço dentro da Direita maranhense através da defesa efusiva das pautas conservadoras na Assembleia Legislativa do Maranhão, até porque seu eleitorado é oriundo massivamente da comunidade evangélica. Teve seu nome envolvido numa celeuma política quando da publicação de declarações ofensivas e vulgares do vice-governador Felipe Camarão contra ela, que em resposta aos ataques sofridos disse que o vice-governador “não tem condições morais para ser sucessor do governador Brandão”.
Porém, nota-se que ela oscila entre o bolsonarismo e o brandonismo. É no mínimo contraditório que uma parlamentar se diga de direita, bolsonarista, quando caminha de mãos dadas com o governador Carlos Brandão (notório aliado de Lula). Essa estratégia camaleônica não fica sem resposta, e nem mesmo é um “risco calculado”, pois na era digital que estamos as informações chegam a cada segundo, e não dá pra esconder a verdade da população. Pode-se manipular os fatos, mas nunca a verdade!
Parece que Mical não aprendeu o jogo político, já que acredita que pode jogar em dois times ao mesmo tempo. Ela quer o melhor dos “dois mundos”, mas se esqueceu do preço dessa controversa estratégia. É melhor a deputada despertar da sua apoteose carnavalesca e entender que já passou da “quarta-feira de cinzas”, colocando os pés no chão, sem esta postura dicotômica nada convencional de estar com Brandão e vociferar ode ao bolsonarismo. É bom que a deputada defina quem é de fato a Mical Damasceno: a bolsonarista ou a brandonista – até porque a população sempre cobra político com duas caras, ou várias facetas, nas urnas.



