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A Origem do Dia Internacional da Mulher: Uma História de Luta e Conquistas

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é muito mais do que uma data comercial ou romântica. Sua origem está profundamente enraizada nas lutas operárias, nos movimentos socialistas e na coragem de mulheres que exigiram direitos básicos em uma época de profundas desigualdades.

Diferente do que muitos imaginam, a data não surgiu de um único incidente isolado, mas sim de uma série de mobilizações históricas que atravessaram fronteiras e culminaram em um marco decisivo na Rússia.

Por “Pão e paz”, mulheres deram início à Revolução Russa (Foto: Reprodução)

Os Primeiros Passos da Luta Operária

No início do século XX, as condições de trabalho para as mulheres eram extremamente precárias. Jornadas que chegavam a 16 horas diárias, salários muito inferiores aos dos homens, ambientes insalubres e a falta de direitos políticos, como o voto, eram a realidade.

Em 1908, um evento em Nova York ganhou destaque: cerca de 15 mil operárias marcharam pela cidade exigindo a redução da jornada de trabalho, melhores salários e o direito ao voto. No ano seguinte, inspirado por essa força, o Partido Socialista da América instituiu o primeiro “Dia Nacional das Mulheres”, celebrado em 28 de fevereiro.

Por que se comemora o Dia Internacional da Mulher?

A Internacionalização da Ideia: Clara Zetkin

A ideia de transformar essa luta em um movimento internacional surgiu em 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca. Foi ali que a ativista comunista alemã Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, dedicado anualmente à promoção de seus direitos e da causa do sufrágio feminino.

A proposta foi aprovada por unanimidade por 100 mulheres de 17 países, mas, naquele momento, nenhuma data específica foi definida.

Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março | G1

O Marco Definitivo: A Greve das Mulheres na Rússia

A data de 8 de março como a conhecemos hoje tem um motivo histórico muito claro: a Revolução Russa.

Tudo começou em 23 de fevereiro de 1917, de acordo com o calendário juliano, então em vigor na Rússia. No calendário gregoriano, utilizado no Ocidente, essa data correspondia exatamente a 8 de março.

Nesse dia, milhares de operárias têxteis de Petrogrado (atual São Petersburgo) saíram às ruas em uma greve por “Pão e Paz”. Elas protestavam contra a fome, a carestia, as péssimas condições de trabalho e os horrores da Primeira Guerra Mundial, da qual a Rússia participava.

O que começou como um protesto de mulheres rapidamente ganhou a adesão de operários metalúrgicos e outros setores da população. O movimento cresceu de forma avassaladora e é considerado um dos estopins diretos da Revolução de 1917, que levaria à queda do czar Nicolau II poucos dias depois.

Em memória ao protagonismo feminino nesse evento histórico, o dia 8 de março foi adotado pelo movimento socialista internacional e, posteriormente, por diversos países ao redor do mundo como a data oficial de celebração e luta das mulheres.

Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março | G1

Oficialização pela ONU e a Luta Contra os Mitos

Apesar de já ser celebrada em vários países, a data foi oficializada globalmente em 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o Ano Internacional da Mulher e reconheceu o dia 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres.

O Incêndio em Nova York: Um Mito Popular

É importante esclarecer um dos mitos mais comuns sobre a origem da data. Muitas pessoas associam o 8 de março a um incêndio ocorrido em uma fábrica têxtil em Nova York, onde operárias em greve teriam morrido queimadas.

Na realidade, esse trágico incêndio aconteceu, mas foi em 25 de março de 1911, na fábrica da Triangle Shirtwaist Company, também em Nova York. O fogo matou 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas. Embora não seja a causa direta da criação do Dia Internacional da Mulher, a tragédia se tornou um poderoso símbolo da luta por melhores condições de trabalho e direitos trabalhistas, sendo frequentemente lembrada como parte do imaginário da resistência feminina.

Mulheres cientistas. Em pé: Nellie A. Brown. Da esquerda para a direita: Lucia McCollock, Mary K. ...
Mulheres cientistas. Em pé: Nellie A. Brown. Da esquerda para a direita: Lucia McCollock, Mary K. Bryan e Florence Hedges.

Conclusão

O 8 de março é, portanto, uma data para celebrar as conquistas sociais, políticas e econômicas conquistadas pelas mulheres ao longo de mais de um século. Mas é, acima de tudo, um dia para lembrar que a luta por igualdade de gênero, pelo fim da violência, pela equidade salarial e por respeito continua tão necessária hoje quanto era no início do século XX.

Na foto, protesto de mulheres em São Paulo, durante o ápice da ditadura militar. Na linha de frente as atrizes Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell.

 

Da redação do PR7 Nwes

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