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Vorcaro declarou pagamento de R$ 68 mi a empresa apontada como canal para financiamento de milícia

BRASÍLIA Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal ter feito pagamentos de R$ 68,66 milhões em 2023 para a Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF (Polícia Federal) por supostamente servir de canal para o ex-banqueiro pagar a sua milícia privada e agentes públicos.

Os pagamentos quitaram dívidas de Vorcaro com a Super na compra de imóveis e outros investimentos. A empresa entrou no noticiário da crise do Master após uma reportagem da Folha mostrar que ela era dona da casa de R$ 36 milhões usada por Vorcaro para receber políticos em Brasília.

Homem de cabelos escuros penteados para trás, vestido com terno preto, camisa branca e gravata cinza, segura microfone com a mão direita enquanto fala sentado em cadeira branca. Ao lado direito, há uma garrafa de água e um copo sobre uma mesa pequena. Fundo azul com logotipos da empresa 'esfera' visíveis.
Homem de cabelos escuros penteados para trás, vestido com terno preto, camisa branca e gravata cinza, segura microfone com a mão direita enquanto fala sentado em cadeira branca. Ao lado direito, há uma garrafa de água e um copo sobre uma mesa pequena. Fundo azul com logotipos da empresa ‘esfera’ visíveis.

Ao determinar a prisão preventiva de Vorcaro, no começo de março, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), apontou que a Super foi utilizada para “pagamentos ilícitos” para o grupo chamado de “A Turma” pelos investigadores, que teria o objetivo de coagir e ameaçar desafetos do ex-banqueiro.
De acordo com a PF, a empresa também foi usada no “relacionamento ilícito” entre Vorcaro e dois ex-funcionários do Banco Central.
A Super teve o pastor e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, como diretor entre 2021 e 2024. Ele também foi preso na operação autorizada por Mendonça. Procuradas nesta quinta-feira (12), as defesas de Vorcaro e Zettel não quiseram se manifestar sobre os pagamentos.
Os dados do Fisco sobre a Super Empreendimentos foram enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS e obtidos pela Folha.


Daniel Vorcaro
Dono do Master, teria ordenado ações de intimidação e monitoramento de ex-empregados e jornalistas que acompanhavam denúncias sobre o banco

Fabiano Campos Zettel
Cunhado de Vorcaro e ex-pastor da igreja Lagoinha, teria participado da administração de pagamentos que sustentavam a estrutura de vigilância

Ana Claudia Queiroz de Paiva
Teria atuado na operacionalização de movimentações financeiras do grupo

Paulo Sérgio Neves de Souza
Ex-diretor de fiscalização do Banco Central, teria atuado informalmente em favor de Daniel Vorcaro

Belline Santana
Ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (Desup), teria mantido interlocução frequente com Vorcaro e prestava consultoria estratégica sobre processos administrativos e temas regulatórios

Leonardo Augusto Furtado Palhares
Apontado pela PF como o responsável por formalizar contrato usado para justificar pagamentos a Belline Santana

Marilson Roseno da Silva
Policial federal aposentado, é apontado como integrante da estrutura de coerção do grupo. Teria usado sua experiência e seus contatos para acessar dados sensíveis

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão
Identificado nas mensagens como Felipe Mourão e apelidado de Sicário, foi identificado pela PF como responsável por coordenar a vigilância. Cometeu suicídio após ser preso

A declaração referente a 2023 afirma que Vorcaro pagou dívidas com a Super de R$ 32,12 milhões pela compra de uma casa, além de R$ 31 milhões por três lotes de condomínio de Nova Lima (MG). O ex- banqueiro também quitou dívidas de R$ 5,54 milhões por investimento em fundo e empresa de táxi aéreo.
Vorcaro também afirmou ao Fisco que obteve, em 2022, cerca de R$ 55 milhões em bens e outros direitos da Super. No ano seguinte, os imóveis foram vendidos ou transferidos para sua ex-mulher na partilha dos bens.
Na declaração referente a 2024, o ex-banqueiro registrou uma transferência para a Super de uma Range Rover Evoque de R$ 398,6
mil.

Na mesma decisão que prendeu novamente Vorcaro, Mendonça determinou a suspensão das atividades da Super, entre outras empresas. O ministro também reproduziu trecho da investigação em que a PF apontou “graves indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas” pelo ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e pelo servidor Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Ambos são investigados pelas fraudes do Banco Master.
Os pagamentos ilícitos, segundo a PF, eram feitos “principalmente, mas não de forma exclusiva, pela empresa Super Participações Empreendimentos S.A.”

“Ressalte-se que esta é a mesma estrutura utilizada para os pagamentos ilícitos mensais para a ‘Turma’, com a diferença de que, nesse caso, os valores seguem da empresa Super Participações, para as empresas de Felipe Mourão, como é o caso da King Participações Imobiliárias Ltda”, afirma ainda a investigação policial, segundo trecho reproduzido na decisão de Mendonça.

Suspeito de integrar a milícia de Vorcaro e apelidado de Sicário, Mourão morreu no último dia 6. Segundo informações da PF, Mourão tentou suicídio em uma cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Ele foi socorrido e levado ao hospital, onde estava internado desde então.

 

Folha UOL

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