Maranhão

Braide candidato ao governo do Maranhão: chance de revitalização da força política do dinismo

O anúncio de Braide como candidato ao governo ganha os aplausos do dinismo no estado e promove novos contornos no cenário político maranhense

O prefeito de São Luís Eduardo Braide anunciou em suas redes sociais nesta terça-feira (31) sua pré-candidatura ao Governo do Maranhão. Com discurso carregado dos velhos e saturados clichês políticos, Braide busca persuadir a população através da emoção, como algo novo na política (apesar de sua gestão municipal servir-se com o mesmo instrumental populista usados por seus adversários), que sua candidatura “nasceu do povo”, que não tem a máquina e nem o dinheiro, mas disse de modo apoteótico, “temos algo muito maior: a força do povo”.

O agora pré-candidato entra oficialmente da corrida eleitoral pelo Palácio dos Leões, em meio a um conflito nada amistoso entre brandonistas e dinistas. Mas o conflito parece dar sinais de pacificação mais contida após o anúncio do prefeito de São Luís, pelo menos por enquanto. A candidatura Braide já era dado como certa por muitos nos bastidores políticos, já que a candidatura de Felipe Camarão não conseguiu angariar força política para alavancar seu nome e nem de qualquer outro aliado do PT no estado. O grupo dinista se viu na situação vexatória de aguardar movimentações de terceiros para tentar estabelecer diálogo e apoio para sobreviver politicamente. Agora com a candidatura de Braide pode ser a chance de reviravolta do partido nestas eleições.

O dinismo foi rechaçado do Palácio dos Leões em meio ao fortalecimento político do governador Brandão nestes últimos 3 anos tanto no âmbito interno (com maioria dos deputados estaduais e prefeituras) como no âmbito externo (como aliado do presidente Lula), o que condicionou o ambiente ideal para lançar seu sobrinho como seu substituto na cadeira de governador do Maranhão. Vale lembrar que Orleans até pouco tempo era um ilustre desconhecido político, cuja “qualificação” mais valiosa do currículo era ser sobrinho de Brandão.

Pois bem! Muitos celebram este anúncio de Eduardo Braide ao governo do Maranhão, porém é preciso fazer alguns esclarecimentos essenciais para o entendimento de algumas movimentações políticas que deverão acontecer nos próximos dias. Braide já está em diálogo com o grupo dinista para angariar força política. No entanto, é de conhecimento público que ele sempre teve uma postura ideológica enigmática, que não abraça nem a Direita e nem a Esquerda (apesar de ter sido tachado de “bolsonarista” nas eleições de 2020). Em fevereiro deste ano durante uma entrevista na TV Mirante a presidenta estadual do PT Maranhão, Patrícia Carlos, afirmou que em conversa com o então prefeito de São Luís sobre uma aliança do partido à sua candidatura ao governo entendeu que Braide “quer o lulismo sem Lula no palanque”. Isto seria impossível. No entanto, parece que Braide vai ter que rever isso (já que precisa dos votos dos eleitores petistas e da esquerda em geral).

Outro ponto crucial: a eleição de Braide pode significar o resgate do dinismo no estado. O grupo que atualmente acumula derrotas acachapantes do grupo de Brandão teme desembocar no ostracismo político, e depender de acordos nacionais para sobreviver no estado. O apoio da base dinista do Maranhão a candidatura de Eduardo Braide é sinal que o grupo vê a chance que precisava para se fortalecer no estado e fazer frente ao grupo de Brandão.

Agora os nomes estão postos, as coligações estão sendo definidas e as articulações darão o norte da disputa – que sem dívida alguma será acirrada e hostil. Na tangente disso tudo está o Dr. Lahésio Bonfim (NOVO-MA) também candidato ao governo do estado. Talvez seja o único player em situação mais “confortável”, pois sabe que a disputa eleitoral vai para o segundo turno e que certamente será o nome que decidirá o vencedor ao cargo de governador. Só resta aguardar as novas movimentações.

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