Polícia

Empresário delata e admite que movimentou R$ 1 bilhão com fraudes do INSS

Maurício Camisotti admitiu à PF movimentação fraudulenta por meio de três associações ligadas ao esquema; senador e dois deputados foram citados pelo empresário como "fundamentais" para o golpe

O empresário Maurício Camisotti, preso no âmbito da Operação Sem Desconto, fechou delação premiada com a Polícia Federal (PF) e admitiu ter controlado três entidades criadas para “fraudar aposentados e pensionistas”: a AMBEC (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), o CEBAP (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas) e a UNSBRAS (União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil). Segundo o próprio empresário, ele movimentou “de maneira fraudulenta cerca de R$ 1 bilhão”.

A delação nomeia três parlamentares como “fundamentais para dar sustentação política à quadrilha”: o senador Weverton Rocha (PDT-MA) – relator da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) – e os deputados federais Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Maria Gorete Pereira (MDB-CE).

A investigação já apontava a existência de um esquema de mesadas pagas a políticos, com repasses médios de R$ 50 mil por mês a pelo menos 15 parlamentares de diferentes partidos, em troca de acesso aos sistemas do INSS e indicação de pessoas de confiança ao órgão.

Corrida por delações

A PF espera que o acordo de Camisotti desencadeie uma corrida de outros investigados pelo benefício. Quatro já iniciaram tratativas: o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio de Oliveira, preso em novembro acusado de receber propina; a mulher dele, a médica Thaísa Hoffmann; o ex-diretor de benefícios do INSS, André Fidelis, também preso em novembro pela mesma acusação; e o filho de Fidelis, o advogado Eric Fidelis.

A médica chegou a ser convocada pela CPMI do INSS, mas ficou em silêncio amparada por habeas corpus do STF. Ela é apontada como laranja do esquema e teria movimentado pelo menos R$ 18 milhões.

A expectativa no STF é de que a delação seja homologada pelo ministro André Mendonça na semana que vem. Mendonça já requisitou informações à PF e perguntou “se há indícios de que o empresário omitiu ou inventou fatos”. Camisotti pediu prisão domiciliar em troca da delação — benefício que também será analisado pelo ministro.

O apontado como chefe da quadrilha, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, não manifestou intenção de fazer delação premiada. A expectativa dos delegados, porém, é que “ele seja obrigado a delatar, na medida em que os depoimentos forem o incriminando.”

 

 

Band Notícias

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