Jorge Messias: a “nova roupa do imperador” para um STF desmoralizado por ser vítima de si mesmo
A indicação de Jorge Messias provoca revolta da oposição, desconforto no Centrão e expõe a tática do petismo em transformar o STF em seu partido satélite

Muito se especula sobre a indicação do atual Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), já que seu histórico político fala mais alto que seu currículo profissional. Messias é considerado um membro atuante do petismo nacional, cuja atribuições ao longo dos anos sempre esteve de acordo com as decisões do PT e suas agremiações satélites. É neste bojo de atuações que paira as controvérsias em torno de seu nome para ministro do STF.
Jorge Messias é cristão protestante, se diz “filho de Deus”, que baseia sua vida nos ensinamentos cristãos e todo o resto do combo curricular chauvinista panfletário de persuasão utilizada pelo populismo político nacional. Porém, suas atitudes vão de encontro ao seu discurso não apenas na esfera de valores morais, mas especialmente na esfera política (já que o próprio Messias afirmou categoricamente que o episódio do “08 de janeiro” foi tentativa de golpe de Estado e de ser a favor da prisão de Jair Bolsonaro.
Em dezembro de 2025, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) fez críticas ao advogado-geral da União cobrando esclarecimentos sobre da AGU numa ação que contestava a resolução 2.378/24 do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibiu a assistolia fetal em gestações acima de 22 semanas, dando aval à decisão do ministro Alexandre de Moraes de anular tal resolução do CFM pela abolição do método. Girão apontou a contradição entre as declarações públicas de Messias, contrárias ao aborto, e o parecer emitido nos autos da ADPF 1.141, afirmando que Messias, que se diz cristão, que vai à CNBB dizer que é contra a legalização do aborto “mas dá o aval para a assistolia fetal?! […] Então, me parece uma contradição”, disse Girão.
Parece que a Esquerda quer emplacar o seu “terrivelmente evangélico” bolchevique na Suprema Corte, buscando persuadir a ala religiosa do Senado para ilustrar uma falsa flexibilidade política do governo federal com fins eleitoreiros, já que o contexto eleitoral atual não está nada bom para o petismo.
Nos bastidores a conversa é que para conseguir a aprovação de Messias para o STF o governo Lula já está em negociação de cargos em agências para o grupo de Davi Alcolumbre e demais partidos de Centro, além de cargos em autarquias federais (incluindo CVM e Cade). Como é de conhecimento público, o PT não tem qualquer pudor para barganhar com seus adversários políticos em busca de controle e Poder. No entanto, a indicação de Jorge Messias expõe algo pior: que o Judiciário está sendo maculado pelo clientelismo e compadrio político ideológico. Vimos isto acontecer em países como Cuba, na ex-URSS (atual Rússia), Camboja, Romênia, China, Venezuela e tantos outros países comunistas, e todos sabem das suas terríveis consequências. Espera-se que o Senado tenha o mínimo de apreço a valores constitucionais, sobretudo a respeito da harmonia entre os Poderes, para que a barbárie não domine as decisões políticas travestida de “democracia”.



