Tarifaço ameaça US$ 4,1 bi em exportações e empurra Brasil para China
As exportações do Brasil podem perder entre US$ 2,3 bilhões e US$ 4,1 bilhões caso os Estados Unidos confirmem a imposição de uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

O ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, calcula que a nova tarifa afetaria cerca de 21% do que Brasil vende. Para especialistas, a tendência é que parte desse comércio seja redirecionada para outros mercados, sobretudo China e União Europeia.
O que aconteceu
A Farsul estima que a tarifa de 25% deve reduzir em US$ 4,12 bilhões as exportações nacionais. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul — que projetou o impacto para todos os setores da economia — calcula que US$ 16,46 bilhões em exportações sofrerão impacto direto. Isso representa 43,7% do total de US$ 37,68 bilhões vendidos aos americanos em 2025.
A XP Macro Research projeta um prejuízo tarifário menor, com estimativas entre US$ 2,35 bilhões e US$ 2,37 bilhões. Segundo a instituição, a medida atingirá 25% do total vendido pelo Brasil aos Estados Unidos, o que equivale a cerca de US$ 9,4 bilhões em produtos.
Já a consultoria MB Associados calcula um impacto intermediário de US$ 2,52 bilhões com a nova barreira comercial. A estimativa aponta que US$ 10,1 bilhões em exportações brasileiras ficarão expostas à alíquota de 25%.
A sobretaxa vai elevar a tarifa média efetiva cobrada sobre os produtos brasileiros para 18,5%. A XP Macro Research estima uma alta de 6,25 pontos percentuais na taxa. Já o Brasil cobra, em média, 3,1% de tarifas sobre as exportações americanas, disse hoje o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin. “Dos dez produtos que os americanos mais vendem ao Brasil, oito entram no país com tarifa zero”, afirmou.
O valor bilionário calculado pelas entidades não representa uma perda financeira imediata ao país. A expectativa é que o impacto se espalhe por meio de margens de lucro menores, repasse de preços, redução no volume de vendas e perda de mercado.
Indústria será mais afetada

Os fabricantes de máquinas pesadas, equipamentos elétricos e os produtores de madeira devem sofrer os maiores prejuízos. Os itens mais atingidos serão máquinas (US$ 2,36 bilhões), madeira (US$ 1,24 bilhão) e transformadores elétricos (US$ 920 milhões), segundo a MB Associados. Esses setores dependem muito do mercado americano e vão enfrentar concorrência direta com produtos locais mais baratos.
As exportações da indústria de transformação para os EUA já registravam queda antes do novo anúncio. O mercado americano absorveu sozinho 23% de todas as máquinas e equipamentos que o Brasil vendeu para o exterior em 2025. O recuo foi de 4,2% em relação a 2024, somando US$ 30,2 bilhões, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). Nove dos 15 principais setores industriais brasileiros venderam menos para o mercado americano no ano passado.
O novo tarifaço afetaria cerca de 21% das vendas do Brasil para os EUA, pelos cálculos do governo. Se isso de fato ocorrer, o impacto sobre o PIB (Produto Interno Bruto) seria pequeno este ano, já que as exportações brasileiras para o mercado americano representam pouco menos de 2% do PIB nacional, segundo relatório do Goldman Sachs sobre as consequências das novas tarifas para o Brasil.
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