Maranhão

Lahésio Bonfim está numa sinuca de bico com a especulação para ser senador de Braide

A notícia de Bonfim como senador da chapa de Braide pode macular de vez a reputação ideológica de Lahésio como candidato do bolsonarismo e levanta questões sobre oportunismo político

O pré-candidato ao governo do Maranhão Lahésio Bonfim (NOVO-MA) virou o assunto mais comentado nestes últimos dias. Circulou nas redes sociais e nos programas políticos do esta do que o nome do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes estaria dialogando (ou negociando) sua desistência à disputa pelo Palácio dos Leões para se candidatar a senador na chapa de Eduardo Braide (PSD-MA). O assunto chacoalhou os bastidores da política eleitoral maranhense, não pela imprevisibilidade (já que era algo até bem comentado em alguns círculos políticos, sobretudo entre os aliados de Lahésio), mas pela postura “silenciosa” de Bonfim.

Vale lembrar que até bem pouco tempo Lahésio fez denúncias graves contra o grupo de Eduardo Braide disponíveis em vídeo na internet. A primeira de tentar retirá-lo da disputa pelo governo do estado em troca de dinheiro, sugerindo até que este saísse para deputado federal. Também denunciou que este mesmo grupo de Braide tirou um candidato do seu partido (NOVO) mediante…propina. Lahésio nunca escondeu seu desejo arrebatador de ser governador do Maranhão, afirmando até ser “providência divina” sua eleição para o bem do estado. Enfim.

Após tudo isso surge esta apoteótica notícia de que Bonfim está dialogando para ser candidato a senador pela chapa de Eduardo Braide. Bom, deixando as paixões militantes de lado e analisando de modo frio, há dois aspectos que precisam ser colocados à mesa para melhor compreensão deste contexto: o aspecto eleitoral e o da credibilidade política.

Do ponto de vista eleitoral (para ser eleito e ocupar espaço político de destaque) seria uma boa para Bonfim, pois estaria numa chapa forte que tem muitos quadros políticos de peso, que pontua muito bem nas pesquisas oscilando o primeiro lugar em algumas regiões do Maranhão e com excelentes chances de vitória. Numa chapa assim Lahésio tem a chance real de ser eleito e catapultar seu nome como quadro sucessório ao Palácio dos Leões como aliado de Braide. Como se coloca como candidato “à Direita” perderia os votos do eleitor mais “raiz” (dos conservadores bolsonaristas), mas teria votos dos eleitores de Eduardo Braide e daqueles mais de Centro que navegam naquele espectro político mais inodoro, conhecido como isentão.

Já do ponto de vista da credibilidade política seria péssimo para Lahésio, pois consagraria que sua rivalidade é apenas conveniente ao contexto que apresentado. A situação vira uma questão de caráter, ou seja, a reputação de “candidato de Direita” cairia por terra, pois o que fazer com as denúncias graves de Bonfim contra o grupo de Braide? Seria esquecidas ou não seriam mais denúncias e sim um “mal entendido”? Ficaria estigmatizado como “oportunista”, como mais do mesmo, como representante do Centrão fisiológico que só quer saber de Poder.

Na política a reputação é o que fica e marca a pessoa por muito tempo (até eternamente). Para construir uma de excelência e ilibada é preciso que a pessoa tenha de fato convicções firmes e inabaladas, que as vivencie de forma assertiva, pois será visto como referência por todos. Além do mais leva tempo para uma reputação se consolidar e qualquer deslize nesse ínterim pode destruir tudo em segundos.

Com uma notícia dessa magnitude ventilando por aí era de se esperar minimamente que o próprio Lahésio Bonfim se manifestasse imediatamente, seja para desmentir o boato… seja para confirmar. Fato é que este silêncio de Bonfim é o grande problema, pois reafirma a sinuca de bico que se meteu, pois qualquer decisão que tomar vai fazê-lo perder por um lado, mas ganhar por outro. Resta saber se os ganhos serão maiores que os danos e se as consequências disso tudo vão valer a pena.

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