Proposta de delação de Vorcaro diz que Moraes não cometeu crime
A proposta de delação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sustenta que os pagamentos do banco ao escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se referiam a negócios lícitos.

Na sua segunda proposta, apresentada no início do mês, o ex-banqueiro trouxe mais detalhes sobre o contrato de R$ 129 milhões do banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, com pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais.
Também é citado um segundo contrato, de R$ 50 milhões, cujo objetivo seria antecipar a íntegra dos pagamentos antes da liquidação do banco, em 2025, mas que não chegou a ser assinado.
Como o prazo era de três anos, o Master pagou apenas R$ 80,2 milhões ao escritório antes de ser liquidado pelo Banco Central.
Tanto nessa versão da delação quanto na primeira, porém, o capítulo sobre Moraes se trata de um “anexo negativo”, segundo fontes —um relato esclarecendo, na versão do delator, que não houve irregularidades na conduta do ministro.
Apesar de acrescentar detalhes em relação à proposta anterior, a nova delação apresentada por Vorcaro foi considerada fraca pela Polícia Federal, que deve se retirar pela segunda vez da negociação da colaboração, como revelou a Folha de S.Paulo.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) deve definir até o final da semana se continua na negociação, se aceita a proposta ou se a recusa. A negativa da PF não significa necessariamente que a PGR não vá seguir em frente com a colaboração.
Segundo o jornal O Globo, antes de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro trocou mensagens com Alexandre de Moraes ao longo do dia, perguntando se ele tinha “conseguido bloquear” alguma medida.
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, disse Vorcaro, em mensagem de visualização única ao ministro Alexandre de Moraes.
A PF suspeita que a informação sobre a ordem de prisão tenha vazado para Vorcaro antes de ser cumprida. Ele foi informado também de que o Banco Central iria liquidar o Master naquela semana, segundo mensagens em seu celular.
Moraes negou ter recebido as mensagens de visualização única de Vorcaro reveladas pela reportagem do Globo.
Vorcaro defende, em sua delação, que o ministro não deu nenhuma contrapartida nem realizou ato de ofício em troca dos pagamentos à sua esposa, que teria sido paga por serviços advocatícios.
No todo, a avaliação de investigadores sobre a proposta de delação é que ela acrescenta pouco em relação ao material apreendido e às informações que a Polícia Federal já tem, e também que Vorcaro não confessa boa parte dos crimes.
Também há dúvidas sobre a capacidade de Vorcaro de devolver os R$ 60 bilhões estimados em desvios do Banco Master —esse fator, porém, será discutido apenas se o material probatório da delação for considerado suficiente para aprová-la.
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