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Casa Branca admite não ter evidência, mas segue chamando Claus de suspeito

O diretor executivo da Força Tarefa da Casa Branca para a Copa, Andrew Giuliani, admitiu hoje saber que o árbitro brasileiro Raphael Claus não era "alvo" de uma investigação no Brasil por cartões vermelhos, mas voltou a chamá-lo de "suspeito" por ter expulsado o craque da seleção norte-americana Folarin Balogun.

O cartão vermelho foi aplicado contra o atleta dos Estados Unidos no jogo da fase de 16-avos de final entre EUA e Bósnia e Herzegovina. Pouco depois da partida, o presidente dos EUA, Donald Trump admitiu ter telefonado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir o cancelamento da punição a Balogun, que ficaria fora da disputa de oitavas de final pelas regras do torneio. O próprio Trump afirmou que “esse árbitro é um tanto suspeito se você verificar o passado dele”.

Interpelado pelo UOL cinco vezes sobre que evidências a Casa Branca possuía para questionar a integridade de Claus, Giuliani afirmou que “ele (Claus) estava ligado a uma investigação sobre manipulação de resultados ocorrida há alguns anos no Brasil, relacionada à aplicação do que foi descrito como cartões vermelhos irregulares”.

Trata-se de provável referência à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, instaurado em 2024, e da qual Claus foi convidado a ser ouvido como testemunha e saiu elogiado como profissional no relatório final da comissão. Confrontado pela reportagem com o fato de que Claus jamais foi formalmente acusado ou investigado, Giuliani reafirmou que ele “estava ligado à investigação. Então, quando você considera esse vínculo — ainda que como testemunha, eu entendo —, o fato de ele ter alguma relação com essa investigação, somado ao modo como o VAR foi utilizado?”

O diretor-executivo da Casa Branca admitiu ainda que conversou com Trump sobre o cartão vermelho e que tomaram em conjunto a decisão de apelar contra a decisão tomada em campo por Claus, mas se recusou a dar detalhes do diálogo e a dizer quem forneceu à Casa Branca as supostas informações sobre o histórico do árbitro brasileiro.

“Vou manter privadas as minhas conversas com o presidente Trump. O que posso dizer é que consideramos altamente suspeito o fato de haver um árbitro que havia participado anteriormente de uma investigação sobre manipulação de resultados e, especificamente, sobre a aplicação irregular de cartões vermelhos”, afirmou Giuliani, que prosseguiu:

“Além disso, entendemos que houve aplicação incorreta do protocolo do VAR. Em lances de contato, não se pode utilizar o replay em câmera lenta da forma como foi utilizado naquele caso. Quando você junta esses dois fatores, entendemos que havia algo muito suspeito.
O governo dos Estados Unidos, seja nas urnas ou dentro de campo, quer que haja fair play”, concluiu o auxiliar de Trump cujo pai, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, liderou as investidas do republicano contra o sistema eleitoral do país e a campanha de acusações de fraude eleitoral em 2020.

A crítica de Giuliani se refere ao fato de que Claus checou o lance da falta de Balogun com imagens em câmera lenta, o que poderia ter distorcido o entendimento do árbitro sobre a gravidade da entrada de Balogun no adversário. A expulsão foi confirmada depois que o árbitro brasileiro reviu o lance do pisão do norte-americano no tornozelo do atleta bósnio em diferentes velocidades de imagem.

O protocolo da FIFA para uso do VAR diz que o recurso pode ser usado com “imagens em velocidade normal e/ou em câmera lenta; no entanto, de modo geral, as repetições em câmera lenta devem ser utilizadas apenas para constatar fatos — como a posição da infração ou do jogador, o ponto de contato em infrações físicas e lances de mão na bola, ou se a bola saiu de jogo (incluindo situações de gol ou não gol) —, enquanto a velocidade normal deve ser empregada para avaliar a “intensidade” de uma infração ou determinar se houve uma infração por toque de mão”.

Ao acolher em parte a apelação dos EUA sobre o cartão vermelho de Balogun, a FIFA não suspendeu o cartão vermelho mas levantou a proibição de que o atleta participasse das oitavas de final e substituiu a punição por um período probatório de um ano, durante o qual a conduta de Balogun será avaliada e ele pode cumprir suspensão caso cometa nova infração.

A CBF saiu em defesa do árbitro. A entidade divulgou uma nota refutando “qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus” e exaltou a “excelência técnica, conduta ética e respeito ao futebol” do profissional.

A relação estreita entre Trump e Infantino vem chamando a atenção globalmente. Em entrevistas anteriores Giuliani chegou a mencionar que o presidente da Fifa esteve com o republicano “ao menos uma dúzia de vezes” desde a eleição de Trump para o segundo mandato. A interpelação de Trump à Fifa sobre o cartão a Balogun, e seu posterior agradecimento público à entidade, gerou críticas dos demais países sobre possível favorecimento e uso político do futebol. Questionado sobre a repercussão negativa do caso, Giuliani foi catégórico: “Mantemos nossa posição de que agimos corretamente”.

 

 

UOL

 

 

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