
SÃO LUÍS – A disputa pelo comando do Sampaio Corrêa se arrasta há meses e chegou ao fim desta semana sem uma definição sobre quem, de fato, tem o controle do clube. O conflito, que envolve o presidente Sérgio Frota e um grupo de sócios liderado por Klaus Lopes, passou por assembleias, decisões judiciais e acusações de ambos os lados. Até este sábado (8), porém, não houve uma mudança efetiva na administração da Bolívia Querida. Diante desse impasse e o acúmulo de informações, fizemos uma linha do tempo para tentar explicar com mais detalhes essa disputa pelo poder:
8 de maio de 2026 — Diretoria publica apoio a Sérgio Frota
Em meio às primeiras manifestações públicas de insatisfação com a gestão, a diretoria e integrantes dos conselhos do Sampaio Corrêa divulgaram uma nota de apoio a Sérgio Frota.
O grupo afirmou que o presidente continuava contando com o respaldo dos poderes constituídos do clube e criticou manifestações que, segundo a direção, aumentavam a instabilidade institucional. Entre os signatários estavam o presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Macieira, e o presidente do Conselho Fiscal, Rafael Alvim.
28 de maio — Clube inicia recadastramento dos sócios
O Sampaio Corrêa publicou edital para o recadastramento dos Sócios Plenos. O procedimento passou a ter importância posteriormente porque a condição de sócio pleno com direito a voto se tornou um dos pontos centrais da disputa sobre as assembleias.
1º de junho — Surge a primeira tentativa de convocação de AGE
Um grupo de associados articulou uma Assembleia Geral Extraordinária para 7 de junho, com o objetivo de discutir a permanência de Sérgio Frota na presidência.
A movimentação era liderada pelo então vice-presidente e diretor jurídico Perez Paz. Segundo as informações divulgadas na época, um grupo de aproximadamente 80 dos 232 sócios plenos participava da articulação.
No mesmo dia, o Sampaio Corrêa publicou nota oficial negando a validade da convocação e classificando a iniciativa como irregular.
3 de junho — Justiça suspende a assembleia de 7 de junho
A primeira tentativa de afastamento de Frota foi barrada judicialmente.
A 6ª Vara Cível de São Luís concedeu liminar suspendendo a AGE marcada para 7 de junho. A decisão apontou, em análise preliminar, que a convocação feita pelo vice-presidente não atendia aos requisitos previstos no Estatuto Social.
O magistrado considerou que a AGE poderia ser convocada pela Presidência do Conselho Diretor, pela Presidência do Conselho Deliberativo ou por um quinto dos sócios plenos aptos a votar. Também foi estabelecida multa pessoal de R$ 50 mil em caso de descumprimento da decisão.
O próprio Sampaio publicou a decisão sob o título “Assembleia irregular barrada”.
11 de junho — Conselho Deliberativo expulsa Perez Paz
A crise ganhou um novo capítulo dentro do próprio clube.
O Conselho Deliberativo aprovou, por unanimidade dos votantes, o desligamento de Perez Paz do quadro de sócios do Sampaio Corrêa. Como consequência, ele perdeu o cargo de vice-presidente do Conselho Diretor.
Segundo a direção, a punição foi resultado de processo administrativo disciplinar que apontou supostas infrações estatutárias. Entre as alegações estavam a promoção de uma campanha de desestabilização da gestão e a divulgação de informações consideradas sigilosas sobre negociações envolvendo o CT José Carlos Macieira.
Perez Paz contestou o procedimento e alegou que não havia sido devidamente notificado para apresentar defesa.
17 de junho — Justiça determina retorno de Perez Paz
A disputa chegou novamente ao Judiciário.
Uma liminar da Justiça autorizou Perez Paz a retornar ao quadro de sócios e ao cargo de vice-presidente do Sampaio Corrêa. O dirigente afirmou que vinha fiscalizando a gestão e que sua atuação teria motivado uma retaliação política.
A decisão, porém, durou pouco.
18 de junho — Sócios conseguem assinaturas para nova AGE
Depois da suspensão da primeira convocação, um grupo de associados anunciou que havia alcançado o número necessário de assinaturas para convocar uma nova Assembleia Geral Extraordinária.
Foram apresentadas cerca de 50 assinaturas, número superior ao mínimo de um quinto dos sócios plenos exigido pelo Estatuto, segundo os organizadores. A nova assembleia foi marcada para 28 de junho, novamente na sede social do Sindicato dos Servidores do Detran, no Turu.
Essa mudança é fundamental para entender o desenrolar posterior: diferentemente da primeira tentativa, a nova convocação passou a ser apresentada pelos organizadores como uma iniciativa respaldada diretamente pelo número de sócios exigido pelo Estatuto.
22 de junho — TJMA restabelece expulsão de Perez Paz
Antes da nova assembleia, o Tribunal de Justiça do Maranhão voltou a interferir no caso.
O desembargador Paulo Velten concedeu efeito suspensivo ao recurso apresentado pelo Sampaio e restabeleceu a decisão do Conselho Deliberativo que havia excluído Perez Paz do quadro social.
Com isso, naquele momento, Perez Paz voltou a perder a condição de sócio e o mandato de vice-presidente.
O episódio deixou ainda mais clara a divisão entre os grupos que apoiavam Frota e os setores que questionavam sua administração.
28 de junho — Assembleia que posteriormente desencadeia a nova crise
É aqui que ocorre o ponto mais importante da cronologia.
Uma Assembleia Geral Extraordinária foi realizada na sede social do SINSDETRAN, em São Luís. A oposição afirma que 47 sócios plenos participaram ou foram representados na reunião.
Segundo a ata posteriormente divulgada, os participantes decidiram:
- afastar Sérgio Frota e toda a Diretoria Executiva;
- anular a eleição que havia estabelecido o mandato 2026–2029;
- restabelecer os direitos políticos de Perez Paz;
- revogar sua expulsão;
- criar uma junta governativa provisória;
- convocar novas eleições em até 30 dias.
A junta anunciada posteriormente ficou formada por:
Klaus Lopes da Silva, presidente;
Josué de Sousa Barreto Neto, tesoureiro;
Vitor Melo Silva Santos, secretário-geral.
1º de julho — Frota começa planejamento para 2027
Mesmo com a assembleia de 28 de junho já realizada, a administração de Sérgio Frota continuou atuando publicamente como responsável pelo clube.
Em entrevista ao ge, publicada em 1º de julho, Frota falou sobre o planejamento do Sampaio para 2027, manifestando interesse na permanência do técnico Júnior Amorim e do executivo Rodrigo Ramos.
Esse fato ajuda a demonstrar que, na prática, a assembleia de 28 de junho não provocou uma transferência imediata do controle administrativo.
5 de agosto — Ata é registrada em cartório e crise volta ao centro das atenções
Mais de um mês depois da realização da AGE, a ata foi registrada em cartório.
Na noite de 5 de agosto, o grupo ligado à oposição anunciou publicamente que o documento havia sido registrado. O Imparcial informou que a ata continha a participação ou representação de 47 sócios plenos.
O registro tornou pública a decisão que, segundo a junta, afastava Frota e toda a diretoria.
O grupo também passou a apresentar oficialmente Klaus Lopes, Josué de Sousa Barreto Neto e Vitor Melo Silva Santos como integrantes da junta governativa.
A previsão anunciada era de realizar novas eleições em até 30 dias.
5 de agosto — Diretoria de Frota rejeita a mudança
No mesmo dia, o Sampaio Corrêa divulgou uma nota oficial.
A diretoria afirmou que tomou conhecimento da suposta AGE por meio da imprensa e que faria uma análise jurídica e documental para verificar a regularidade e a legitimidade do ato.
Até a conclusão dessa análise, o clube declarou que não reconheceria qualquer alteração na administração.
Esse é o momento em que o conflito deixa de ser apenas uma disputa interna e passa a assumir claramente a forma de uma dupla reivindicação de comando.
6 de agosto — Klaus afirma que Frota não é mais presidente
No dia seguinte, 6 de agosto, o Imirante Esporte publicou entrevista, do repórter Afonso Diniz, do Globo Esporte, com Klaus Lopes.
O presidente da junta governativa afirmou que o registro da ata em cartório produziria efeitos imediatos e que, portanto, Sérgio Frota já não seria presidente do Sampaio.
Klaus também afirmou que a junta teria como principal missão conduzir o clube durante os 30 dias previstos para a convocação de novas eleições.
O ge também registrou a versão do grupo: segundo os organizadores, a AGE de 28 de junho teria anulado a eleição de 2026–2029 e criado a junta provisória.
7 de agosto — Frota contesta e diz que só a Justiça pode alterar o comando
A disputa ganhou um novo capítulo público.
Em entrevista ao ge, Sérgio Frota contestou a validade jurídica do movimento e afirmou que o simples registro da ata em cartório não seria suficiente para produzir a mudança de comando.
Klaus, por outro lado, manteve a defesa de que a assembleia respeitou o Estatuto e que a junta tem legitimidade para administrar o clube.
O cenário passou a ser, portanto, de duas posições incompatíveis:
Junta governativa: considera Frota destituído e reivindica o comando.
Sérgio Frota: não reconhece a destituição e sustenta que continua presidente até que uma instância competente determine o contrário.
8 de agosto — Sem transição e com disputa caminhando para a Justiça
Até este sábado, 8 de agosto, não houve transferência efetiva da administração.
A junta afirma ter realizado notificações e buscado uma reunião de transição com Sérgio Frota. O encontro, porém, não aconteceu. O grupo também sinalizou que poderá recorrer ao Ministério Público.
Frota, por sua vez, prepara a contestação jurídica e mantém o controle prático da estrutura do clube. O CT José Carlos Macieira permanece sob controle da atual administração.
A situação, portanto, chegou a um ponto de impasse: há uma junta que afirma ter sido legitimamente constituída por 47 sócios, mas a administração de Sérgio Frota continua exercendo o controle efetivo do clube.
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