Maranhão

Flávio Dino quer governar o Maranhão via STF

As últimas ações do ministro Flávio Dino apontam um claro sentimento de vingança contra seu antigo aliado político, evidenciando que ainda há muita animosidade com Carlos Brandão.

Não é de hoje que o atual ministro do STF Flávio Dino demonstra ser apaixonado por protagonismo, seja político ou midiático. Sempre foi um voraz combatente da Direita brasileira, especialmente do bolsonarismo, desde quando governador do Maranhão (o que lhe rendeu pomposas benesses, como o cargo que exerce atualmente na Suprema Corte).

Nos bastidores Dino nunca escondeu seu desejo de ser presidente da república, muito embora tergiverse quando fala do assunto publicamente, mesmo que estampe efusivamente o brilho e o sorriso facial. Da mesma forma, não esconde seu desprezo àqueles que considera inimigos, não medindo esforços para combatê-los e ferí-los quando convém (basta ver suas opiniões e atuação no julgamento sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro). Mas o que de fato tem chamado a atenção do ministro lulista de carteirinha é sua declarada atuação política no STF que vem interferindo diretamente nas movimentações políticas das eleições no Maranhão. O caso da suspensão do presidente do TCE-MA Daniel Itapary Brandão (sobrinho de Carlos Brandão) foi o mais recente, digamos, reatividade de Dino. Há quem diga que o ministro só está “cumprindo a lei”, mas há quem diga que se trata de retaliação contra seu antigo aliado Carlos Brandão.

Para membros do Judiciário construir argumentos jurídicos para fundamentar decisões não é algo difícil, ainda mais quando tais decisões contam com os afagos da milícia jornalística da imprensa nacional. Junte-se a isso a declarada animosidade entre os brandonistas e dinistas que marcam este início de campanha eleitoral oficial, alimentada por profundas mágoas e ressentimentos mútuos) é fácil concluir que as ações do ministro Dino contra Carlos Brandão figuram como uma espécie de retaliação instrumentalizada “em nome da Justiça”.

Há quem diga que tais ações de Dino podem desembocar num eventual afastamento de Brandão da cadeira de governador. Se isso acontecer será a maior reviravolta da política eleitoral dos últimos anos. Imaginemos as consequências: Filipe Camarão (vice-governador) assumirá o governo, ou seja, Dino será o “governador” de verdade; a campanha de Orleans Brandão perde sumariamente força política; aliados de Brandão debandam para assegurar força política e apoio para futuras eleições; as eleições no estado ficarão abertamente polarizadas entre Direita e Esquerda (ou seja, entre Camarão e Roberto Rocha); Eduardo Braide fica na esteira dessa disputa para saber de quem vai pleitear apoio. Enfim.

Não sabemos onde isso vai dar, mas esses próximos dias serão decisivos para uma conclusão factual pra saber se a foice e o martelo dinista será mais forte que a pata do Leão brandonista.

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