
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um amplo esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos aplicados a benefícios do INSS, também alcançou outro nome da política maranhense. Trata-se de Erick Janson Vieira Monteiro Marinho, natural de Chapadinha, apontado nas investigações como um dos envolvidos no núcleo financeiro do esquema.
Erick Marinho é segundo suplente do senador Efraim Filho e aparece nos autos da investigação em razão de suas conexões empresariais e patrimoniais. Ele é casado com Joelma dos Santos Campos, que figura como sócia das empresas AIR CONNECT S/A e FLIGHT WAY S/A, ambas analisadas pela Polícia Federal por apresentarem características típicas de companhias utilizadas para ocultação patrimonial, segundo os investigadores.
De acordo com o inquérito, o endereço da AIR CONNECT S/A coincide com o da empresa VOGA Serviços Contábeis, inscrita no CNPJ 10.943.907/0001-48, pertencente a Alexandre Caetano dos Reis, que atua como contador da AIR CONNECT e de diversas outras empresas vinculadas ao grupo empresarial de Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela PF como figura central do esquema investigado.
As empresas AIR CONNECT S/A e FLIGHT WAY S/A, ambas constituídas em nome de Joelma dos Santos Campos, apresentam, segundo a Polícia Federal, indícios relevantes de irregularidade: criação recente, capital social considerado irrisório e, ainda assim, a aquisição de aeronaves de alto valor, incompatíveis com a capacidade financeira oficialmente declarada.
Um dos exemplos citados nos autos é a AIR CONNECT S/A, proprietária da aeronave Beech F90, prefixo PT-LPL, adquirida por R$ 2,8 milhões em janeiro de 2022 — período que, segundo a investigação, coincide com a intensificação das fraudes relacionadas aos descontos associativos do INSS. Para a PF, esses elementos reforçam a hipótese de que as empresas funcionariam como veículos de blindagem patrimonial a serviço de Antônio Camilo e de seus operadores.
Quanto à atuação conjunta de Antônio Carlos Camilo Antunes e Erick Marinho, a Polícia Federal destaca que as interações analisadas demonstram condutas ativas voltadas à ocultação e à movimentação de bens e valores, incluindo indícios de operações no exterior, conforme registrado nos autos (fl. 761).
A Operação Sem Desconto segue em andamento. Todos os citados são investigados, não havendo, até o momento, condenações judiciais. A Polícia Federal continua aprofundando as apurações para esclarecer o grau de responsabilidade de cada envolvido, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório.
No entanto, Erick está proibido de ausentar-se do país, com entrega de passaporte, e de manter contato com outros investigados.
Blog Diego Emir



