Política

O aliado de Alcolumbre no tombo de R$ 400 milhões com papéis do Master

José Milton Gonçalves era conselheiro do Amapá Previdência até o fim de 2025; ele já respondia por malversação em outro fundo

Um servidor público ligado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi um dos responsáveis pelo prejuízo de R$ 400 milhões do Amapá Previdência com títulos do Banco Master sem garantia.

O Amapá Previdência é o instituto responsável pela previdência complementar dos servidores do estado. José Milton Gonçalves tornou-se conselheiro do fundo a partir de indicação do governador Clécio Luís (Solidariedade). No entanto, ele é próximo de Davi Alcolumbre e de Josiel Alcolumbre, irmão do presidente do Senado.

No Congresso, políticos de oposição coletam assinaturas para tentar dar início a uma CPMI do Banco Master. A criação deste colegiado, no entanto, depende do aval de Davi Alcolumbre.

Em abril de 2024, Milton postou em seu perfil no Instagram uma foto com Josiel Alcolumbre. “Um amigo que encontramos no supermercado”, escreveu ele.

Em março de 2025, postou uma foto do próprio filho com Josiel e assinalou: “Um grande amigo”. Em uma outra publicação, de abril de 2024, escreveu: “Meu filho admira muito o que o @josielalcolumbre_ pelo que ele faz pelos adolescentes e jovens”. “Obrigado pelo carinho”, respondeu Josiel.

Por meio da assessoria de imprensa, Davi Alcolumbre disse não ter nenhuma relação com José Milton Gonçalves. A assessoria afirmou ainda que Josiel Alcolumbre tem o hábito de posar para fotos com várias pessoas, por já ter sido candidato a prefeito da capital.

Milton chegou ao cargo mesmo respondendo a uma ação penal por crimes contra o sistema financeiro e gestão temerária de recursos previdenciários. A acusação diz respeito à atuação dele em outro fundo previdenciário, o Macapá Previdência, que cuida da aposentadoria dos servidores da capital amapaense.

Ele foi inocentado na primeira instância, mas o caso segue em andamento.

José Milton Gonçalves foi removido do cargo no Amapá Previdência no fim de dezembro do ano passado, após o Banco Central decretar a liquidação do Master.

Gonçalves foi quem sugeriu o investimento de R$ 400 milhões no Master, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A proposta foi apoiada pelo presidente do fundo, Jocildo Lemos, indicado por Alcolumbre.

Em nota, Davi Alcolumbre negou ter qualquer relação com a indicação de José Milton Gonçalves, ou com a aquisição dos papéis do Master.

“É falsa e irresponsável qualquer tentativa de vincular o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a essa indicação ou aos fatos mencionados. Ele não indicou, não participou e não teve qualquer relação com a escolha do referido servidor ou com decisões da Amapá Previdência. Trata-se de uma narrativa mentirosa e absolutamente irresponsável”, diz o texto.

Metrópoles

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