CVM vê participação direta de ex-CEO em fraude bilionária da Americanas

A Superintendência de Processos Sancionadores da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) concluiu parte das investigações do caso Americanas e apontou responsabilidades de 30 executivos, entre eles o ex-CEO Miguel Gutierrez, pela fraude na empresa, além da própria companhia. O tema ainda será julgado pela diretoria da autarquia. A divulgação de um rombo da ordem de R$ 25 bilhões na empresa completa três anos este mês.
O que aconteceu
Documento aponta responsabilidades de 30 executivos pela fraude. Dentre eles estão o ex-CEO Miguel Gutierrez e os ex-diretores estatutários Anna Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles. O órgão diz que a documentação analisada traz indícios da participação de diversas outras pessoas na manipulação de preços das ações da empresa, mas que não foram encontrados elementos suficientes para comprovar a intenção em fraudar.
O ex-CEO da companhia, Miguel Gutierrez, “teve participação fundamental na fraude”, diz o documento da CVM. Era ele “quem dava a palavra final quanto aos números que deveriam ser apresentados”, diz a peça de acusação elaborada pela Superintendência de Processos Sancionadores. O objetivo do executivo, diz o documento, era a valorização das ações da companhia. O executivo nega as acusações e diz que a peça da CVM “se limita a repercutir a mesma versão dos fatos que a Americanas construiu para proteger seus acionistas controladores”.
Gutierrez não apresentou evidências contra o acionista Beto Sicupira. Miguel Gutierrez disse à CVM que seu chefe era Beto Sicupira, bilionário acionista de referência da empresa e sócio da gestora 3G Capital. No entanto, “não apresentou sequer uma evidência que indicasse que Sicupira tinha conhecimento ou que tenha participado da fraude”, diz o documento.
A CVM ainda deve abrir investigações para apurar eventuais irregularidades praticadas por membros do conselho de administração, conselho fiscal e pelos bancos. O documento destaca que o procedimento em questão analisou apenas a conduta de diretores e funcionários da empresa.
O órgão da CVM também responsabiliza a própria empresa pela divulgação de informações falsas aos investidores. O documento diz que a empresa buscou “eximir-se da responsabilidade”, uma vez que “se considera vítima da fraude ocorrida”. Mas o entendimento da superintendência foi de que “eximir a Companhia de responsabilidade abriria perigoso precedente de não responsabilização”.
UOL
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