ÁUDIO-Prefeito de Cuiabá diz ‘torcer’ para servidoras não engravidarem. Ouça

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou, durante uma reunião em outubro de 2025, que torce para que as servidoras do município não engravidem ao mesmo tempo. A fala ocorreu em um encontro para discutir o pagamento de adicional de insalubridade e um benefício denominado prêmio saúde às servidoras que saem de licença-maternidade.
Em nota enviada ao UOL, a Prefeitura de Cuiabá diz que a fala foi “retirada de contexto”, e que “não reflete a realidade da administração municipal nem os valores da gestão, que tem como princípio a valorização das mulheres e o respeito aos direitos das servidoras públicas” (leia a íntegra abaixo).
O que aconteceu
Conversa foi gravada no dia 22 de outubro de 2025. O áudio, obtido com exclusividade pelo UOL, mostra uma discussão entre Abilio e servidores públicos que reivindicavam o pagamento dos benefícios.
Na reunião, o prefeito diz que abrirá um lugar para transferir todas as servidoras grávidas, retirando-as de locais insalubres para evitar pagar adicional. “Nós vamos abrir outro lugar para transferir. Só torço para que nem todas as mulheres engravidem ao mesmo tempo”, afirmou.
Abilio foi questionado por um servidor presente na reunião. “Mas por que não, cara? Pelo amor de Deus, você não pode falar isso, está parecendo que a mulher engravidar é um problema”, afirmou o servidor.
O prefeito ironizou o pedido de manutenção dos benefícios de insalubridade e prêmio saúde durante a gravidez de servidoras. Para ele, a reivindicação sugere que as mulheres querem trabalhar em local insalubre.
Sabe o que está parecendo? Que todo mundo quer trabalhar no local insalubre (…) O desejo que estou vendo aqui é o seguinte: ‘Não vamos melhorar a saúde de Cuiabá, porque se a gente melhorar eu vou ganhar menos’.
– Abilio Brunini (PL), prefeito de Cuiabá
Na mesma reunião, após pressão dos servidores, Abilio prometeu que faria um projeto de lei para garantir o pagamento dos benefícios perdidos. Ele declarou que seria necessária uma lei específica, porque as profissionais que engravidam “não têm produtividade”.
Vou criar uma lei específica para isso, uma gratificação específica para a pessoa que está em gestação até que ela retorne da sua licença de gestação. (…) Contudo, a gente supera nessa parte da gratificação, ou um prêmio, ou acho que nem é isso porque não tem contrapartida alguma, é mais uma ajuda de custo, porque não tem contrapartida alguma, a pessoa não tem produtividade, não está vinculada à produtividade, não está vinculada a nenhum dos outros critérios, tem que ser uma lei específica para isso.
– Abilio Brunini



