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Brasil tem recorde de casos de feminicídio em 2025; dados indicam quatro mulheres assassinadas por dia

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná ocupam o topo da lista como estados com o maior número de registros

O Brasil registrou recorde no total de feminicídios em 2025, com 1.470 registrados de janeiro a dezembro deste ano, segundo dados do Ministério da Justiça. Os registros superam os contabilizados em 2024 e tendem a crescer os dados de São Paulo, Alagoas, Paraíba e Pernambuco, que não haviam enviado seus índices referentes ao último mês para a atualização na base do governo federal até o momento. Os números atuais indicam que quatro mulheres foram assassinadas por dia no ano passado.

O total de casos supera os 1.459 de 2024 e representa o maior índice contabilizado nos últimos dez anos. A tipificação do crime foi criada em 2015, ano em que foram registrados 535 ocorrências. Em todo o período, 13.448 mulheres foram mortas nessas circunstâncias.

Em 2025, mesmo sem ter enviado os números referentes a dezembro, São Paulo aparece em primeiro lugar no ranking de estados com mais ocorrências, com 233 vítimas de feminicídio. Em seguida, estão Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104), Bahia (103) e Paraná (87). Os menores índices, por sua vez, foram contabilizados no Rio Grande do Norte (19), Tocantins (19), em Sergipe (15), no Acre (14), no Amapá (9) e em Roraima (7).

Os números são enviados pelas secretarias de Segurança Pública dos estados e do Distrito Federal (DF) e compilados pelo Ministério da Justiça. Os dados podem ser visualizados no portal do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

Ao longo do ano, casos como o de Tainara Santos, de 31 anos, chocaram o país. A jovem morreu no final de dezembro após permanecer quase um mês internada e perder as duas pernas. Ela foi vítima de um ex-ficante, identificado como Douglas Alves, que a atropelou e arrastou por quase um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo. Na mesma semana da morte de Tainara, Jéssica Daiane Cabral de Oliveira, 30 anos, foi assassinada com seis tiros dentro da casa onde ela morava com a filha de 7 anos, que estava no local no momento do crime. O ex-companheiro dela, o guarda municipal Gerson Rafael Geidelis, de 46, foi identificado pela polícia como o autor dos disparos.

Antes, a adolescente Vitória Regina de Souza, de 17 anos, foi encontrada morta também no ano passado após ficar sumida por uma semana no município de Cajamar, na Grande São Paulo. Ela foi morta por facadas no rosto, tórax e pescoço, e teve o corpo encontrado degolado e com a cabeça raspada. A autoria do crime foi confessada por Maicol Sales dos Santos, que acompanhava a rotina da jovem e chegou a ser apontado por investigadores como um possível stalker ou perseguidor.

Os suspeitos devem responder pelo crime de feminicídio que, desde a sua tipificação, passou a abranger crimes de assassinato de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou por motivações ligadas à misoginia. Além disso, em 2024, foi sancionado um projeto de lei que aumenta a pena para esses casos, estendendo o tempo a ser cumprido pelos autores para até 40 anos.

Já no início deste mês, o governo federal passou a considerar o dia 17 de outubro como a data nacional de luto e de memória às mulheres vítimas de feminicídio. A efeméride foi criada em referência ao dia em que a jovem Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, foi morta a tiros pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, em 2008.

O Globo

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