
A declaração foi dada num momento de escrutínio público sobre a Corte. Vem depois de notícias mostrando relações empresariais do banco Master, que tem caso tramitando no STF, com parentes de Toffoli e a mulher de Alexandre de Moraes.
O levantamento revela que cinco ministros mantêm vínculos com empresas dos setores de agronegócio, educação, advocacia e gestão imobiliária.
Dois magistrados, André Mendonça e Nunes Marques, constituíram as companhias após a posse no Supremo.
Não há irregularidade em participar do quadro societário das empresas. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) impede que os juízes participem como administradores de companhias, mas não como sócios. Contatado, o STF afirma que a lei é respeitada pelos ministros.
Leia abaixo:

1. André Mendonça
Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global – aberta em maio de 2022, meses depois de o ministro ter assumido a cadeira no STF (em dezembro de 2021). Janey Mendonça, mulher do ministro, aparece como sócia;
Instituto Iter – fundado em novembro de 2023, tendo como sócios iniciais a Integre Cursos, Janey Mendonça, o ex-ministro da Educação Victor Godoy, o ex-presidente do Inep Danilo Dupas e o ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça, Tercio Tokano. Em 2024, a empresa tornou-se sociedade anônima, e apenas Victor Godoy permaneceu visível nos registros da Receita. A empresa continuou comercializando palestras de Mendonça. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo em outubro de 2025, o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos.

2. Cristiano Zanin
Instituto Lawfare – criado em março de 2019 em sociedade com sua esposa, Valeska Zanin, e o advogado Rafael Valim. A entidade oferece cursos e publicações sobre lawfare (o uso estratégico do Direito para fins de perseguição política, militar ou comercial);
Attma Participações – empresa de gestão de imóveis próprios, com capital social de R$ 260 mil. Também em sociedade com a esposa, Valeska Zanin.
Questionado por meio da assessoria do STF, o ministro informou que, a seu pedido, foi excluído do quadro societário do Instituto Lawfare. Até a noite de quinta-feira (5.fev), a base de dados da Receita ainda mostrava o magistrado no quadro societário, o que pode ser devido a desatualização.

3. Flávio Dino
IDEJ (Instituto de Estudos Jurídicos) – fundada em 2003 sob o nome fantasia “Dínamo Educacional”, em sociedade com seu irmão, Sálvio Dino Jr. A atividade principal registrada é a oferta de “cursos preparatórios para concursos”.

4. Gilmar Mendes
Roxel Participações – Holding com capital social de R$ 9,8 milhões. Além do ministro, tem como sócios Francisco e Laura Mendes, filhos do ministro. A Roxel integra o quadro societário do IDP, da MT Crops e da GMF Agropecuária.
IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) – administrado por Francisco Mendes, oferece uma série de cursos de ensino superior, como Direito, Economia e Administração, entre outros;
MT Crops – sediada em Diamantino (MT), cidade-natal do ministro, faz comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos do solo;
GMF Agropecuária – propriedade rural em Alto Paraguai (MT) voltada ao cultivo de soja. A sociedade inclui os irmãos do ministro, Francisco Ferreira Mendes e Maria da Conceição Mendes França, além do cunhado Ailton Alves França.

5 .Nunes Marques
Nunes & Marques Administradora de Imóveis – empresa de administração de patrimônio criada em 2014. Sua irmã Karine Nunes Marques e seu filho Kauan de Carvalho Marques são sócios;
Educacional e capacitação Ltda. -aberta em junho de 2025, depois da posse de Nunes Marques como ministro do Supremo (2020). Tem como atividade principal “treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”. A administradora da empresa é sua sobrinha, Anne Kaline.

Jorge Messias
O atual advogado-geral da União, indicado por Lula ao cargo de ministro do STF, também tem uma empresa registrada em seu nome:
Centro-Oeste Cursos Técnicos – a empresa de educação, registrada em 2019 no Distrito Federal, oferece cursos técnicos profissionalizantes em administração, contabilidade, análise clínica, entre outros. Messias é um de sete sócios da companhia, que tem R$ 1,8 milhão de capital social.
UOL



