Delação de Vorcaro é o ponto decisivo para o previsível destino de Moraes
A defesa do banqueiro assinou termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a PGR para firmar um acordo de delação premiada, o que piora a situação do ministro Moraes e a imagem do STF na opinião pública

O caso do Banco Master está escalando para patamares cada vez mais próximos de um final nada agradável para os envolvidos, piorando a terrível tensão nos bastidores políticos em Brasília. A delação de Vorcado é dada como certa, pois o banqueiro assinou na quinta-feira (19) um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a PGR, consistindo na primeira etapa para firmar um acordo de delação premiada e colaborar com as investigações das autoridades.
Parece que agora é só uma questão de tempo para que toda esta cadeia de fraudes do Banco Master seja esclarecida, e seus culpados punidos. O problema é que entre os envolvidos estão ministros da Suprema Corte, como Dias Toffolli e Alexandre de Moraes, ou seja, justamente aqueles os quais deveriam ser os exemplos de conduta moral, ética e guardiões das Leis.
A cerca de seis meses atrás o ministro Alexandre de Moraes era visto o “herói da democracia”, o queridinho do Judiciário que “salvou o país do golpe da extrema-direita”, ovacionado pela imprensa e toda a nomenclatura esquerdista do país. Agora é o “sujeito que conversou com Vorcaro por mensagens de visualização única” momentos antes do mesmo banqueiro ser preso. E qual o conteúdo destas mensagens que o ministro Moraes fez questão de apagar?
Segundo divulgado pela colunista Malu Gaspar, Vorcaro enviou uma série de mensagens ao ministro Alexandre de Moraes no dia da operação da Polícia Federal que prendeu o dono do Banco Master. Em uma nota chula e insípida, o gabinete do ministro Moraes afirmou que tais mensagens não conferem com os contatos do ministro nos arquivos apreendidos e que “os prints das mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro”. Porém a própria Polícia Federal disse o contrário, pois as mensagens extraídas do celular de Vorcaro foram periciadas pela mesma PF e contradiz duramente a nota do ministro.
Lembrado que o ministro Alexandre de Moraes (que apagou conversas com Daniel Vorcaro em seu celular) é o mesmo que criticou duramente tal atitude ao julgar réus. Um exemplo é a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, pois Moraes definiu o ato de deletar mensagens de celular da cabeleireira no âmbito de um inquérito como “desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública”. E como fica agora a atitude do ministro Moraes?
Agora é aguardar se a delação vai acontecer mesmo ou não, já que, segundo o que foi divulgado recentemente pela jornalista Mônica Bergamo, Daniel Vorcaro afirmou que em sua delação só vai “atingir” os magistrados se for inevitável. Significa que o Vorcaro, se confirmada esta fala, já delatou seus ministros, pois só vai entregá-los “se não tiver jeito”. Essa é mais uma chacota com a cara da população que ornamenta o show tragicômico da Justiça brasileira.



