Depoimentos à PF reforçam tese de que servidor na Receita vendia acesso sigiloso

Depoimentos colhidos pela Polícia Federal na esteira da investigação sobre violação de sigilo de autoridades e seus parentes reforçam a tese de que ao menos um servidor lotado na Receita Federal vendia acessos a dados sigilosos de pessoas politicamente expostas.
A própria Receita, em apuração interna, havia levantado essa possibilidade, agora reforçada pelos relatos colhidos pela PF.
A investigação é alvo de controvérsia porque foi aberta de ofício pelo ministro Alexandre de Moraes dentro do denominado inquérito das fake news. O ministro e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, entenderam que houve violação de dados fiscais de ministros, parentes e outras autoridades para constranger o Judiciário. Essas informações são protegidas por lei e só podem ser acessadas com ordem judicial, o que não foi o caso.
O primeiro órgão a franquear acesso a informações ao Supremo foi a Receita. A PF entrou numa segunda fase da apuração, quando já havia ordem de busca e apreensão e de instalação de tornozeleira eletrônica em ao menos quatro servidores que comprovadamente, segundo o próprio Fisco, acessaram dados de filhos, enteados e outros parentes de ministros.
Agora, com a corroboração da suspeita de que a violação dos sigilos era alvo de um mercado ilegal de dados, novos desdobramentos da apuração são aguardados.
UOL



