Erga-se André Mendonça e cumpra sua missão!

André Mendonça disse certa vez, durante pregação, ser um instrumento de Deus no Supremo. Sua declaração foi feita quando o ministro nem sequer imaginava que viraria relator dos casos mais rumorosos da República. Hoje, cabe ao ‘terrivelmente evangélico’ conduzir as investigações do Caso Master, na esfera judicial, e também decidir sobre recursos apresentados por alvos da CPMI do INSS e pela CPI do Crime Organizado. Juntas, essas apurações têm potencial de incendiar a República.
A CPMI do INSS, ao investigar o roubo bilionário dos aposentados, deu de cara com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, primogênito do presidente da República e acusado de receber uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS por meio da empresária-lobista Roberta Luchsinger, ex-mulher do delegado Protógenes Queiroz. As investigações do colegiado também levantaram um importante elo com o escândalo do Master, via consignado.
Da mesma forma, a CPI do Crime Organizado, inicialmente instalada para apurar a penetração de facções e milícias na estrutura do Estado e também na economia, acabou cruzando com Daniel Vorcaro, o banqueiro que contratou a mulher de Alexandre de Moraes por R$ 129 milhões e repassou R$ 35 milhões para uma empresa de Dias Toffoli sócia de um resort avaliado em quase meio bilhão de reais. Mendonça, diga-se, o substituiu justamente por sua suspeição para relatar o caso no âmbito judicial.
Como a justiça dos homens anda pouco justa, parece que a divina resolveu agir. Além de uma chance única de gravar seu nome na história, o ministro indicado por Jair Bolsonaro está incumbido da árdua tarefa de purificar o Supremo e o próprio Judiciário. Precisa ter pulso e sabedoria, além de humildade. Mendonça errou anos atrás ao homenagear Toffoli com um livro, mas pode corrigir seu erro ao enviar Toffoli para a cadeia.
Mendonça também poderá destronar Moraes e, depois disso, corrigir toda a injustiça cometida contra os patriotas do dia 8 e 9 de janeiro presos sob acusações infames; contra jornalistas, militantes e parlamentares, perseguidos por suas opiniões, e contra seu padrinho político – um político malcriado, imperfeito, mas que nunca se vendeu a bancos, emissoras de TV ou gigantes de proteína animal. Mas o ministro precisa ter pulso e sabedoria, para reagir à sabotagem de seus próprios colegas de Corte.
Em poucos dias, Gilmar Mendes o atropelou no caso da quebra de sigilo da empresa de Toffoli e Flávio Dino o atropelou no caso da quebra de sigilo da amiga de Lulinha e do próprio Lulinha. Foi atropelado junto com o Congresso, pisoteado em suas prerrogativas em duas comissões de inquérito. Se tiver pulso, Mendonça vai recorrer a Edson Fachin para anular decisões que violaram sua prevenção. Se tiver sabedoria, chamará o Congresso para travar essa batalha, e com ele o povo.
Blog Claudio Dantas



