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Irã ameaça incendiar navios que tentem passar pelo Estreito de Ormuz

Declaração ocorre após o assassinato do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, em ataque dos EUA e de Israel

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que vai incendiar qualquer navio que tente atravessar o Estreito de Ormuz, que está fechado desde o último sábado (28/2), após os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã.

O bloqueio do estreito interrompe 20% do fluxo global de petróleo, o que deve elevar drasticamente os preços do petróleo bruto.

A declaração do chefe da Guarda Revolucionária do Irã foi feita nesta segunda-feira (2/3) a mídia estatal iraniana, e ocorre como consequência direta do assassinato do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, durante o bombardeio.

O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima do petróleo mundial e conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

Por ali passam diariamente dezenas de milhões de barris de petróleo e volumes importantes de gás natural liquefeito produzidos pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e o próprio Irã, que controla a parte norte da via marítima.

O preço do barril de petróleo já aumentou 10% desde o bloqueio e chegou a US$ 80 por barril. Analistas projetam que a cotação pode chegar a US$ 100 com a escalada recente.

Os mercados asiáticos são os mais afetados com as tensões no local, por serem as economias mais dependentes do petróleo do Oriente Médio. A China, por exemplo, é a principal importadora do petróleo do Irã.

Ataques contra o Irã

Os Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra o Irã no sábado (28/2). Mais de 130 cidades foram atingidas e o aiatolá Ali Khamenei, líder do país, foi assassinado. Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho no país (IRCS), ao menos 550 iranianos morreram nos ataques.

A guerra protagonizada pelos três países já impactou diretamente ao menos 11 países e promete se estender pelos próximos dias.

Na noite dessa domingo (2/3), o conflito ganhou um novo capítulo com ataques mútuos entre o Hezbollah, grupo extremista libanês, e Israel. O grupo reivindicou um ataque contra uma base militar em Haifa, ao norte de Israel, em demonstração de apoio ao Irã após a morte de Ali Khamenei.

Em Israel, nove morreram e cerca de 20 ficaram feridos.

Os Estados Unidos também registraram as primeiras baixas militares, com a morte de três soldados em um ataque ao porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.

Em pronunciamento, o presidente Donald Trump afirmou que “possivelmente” novas mortes devem ocorrer e prometeu vingança.

Reuters/AFP

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