
Ricardo Lewandowski já comunicou ao presidente Lula que deixará o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública ainda neste mês. A decisão, embora só tenha sido formalizada no dia 23 de dezembro, não pegou de surpresa o entorno do Planalto: o desejo de saída era antigo e vinha sendo maturado em silêncio. Com ele, deixam a pasta o secretário-executivo Manoel Carlos Almeida e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo.
O esvaziamento político do ministro ficou evidente nas últimas semanas. Lewandowski praticamente não participou das discussões estratégicas no fim de semana marcado pela crise internacional envolvendo Estados Unidos e Venezuela. Coube ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informar que Caracas havia fechado a fronteira com o Brasil após a prisão do ditador Nicolás Maduro, um sinal claro de que o ministro já operava em modo de despedida.
Nos bastidores do Ministério da Justiça, a expectativa é de que a transição para a nova equipe comece em fevereiro, sob o comando de um substituto ainda a ser definido. Lula procura um nome com perfil político mais afiado: alguém que dialogue bem com o Supremo Tribunal Federal, mas que também tenha capacidade real de articulação no Congresso, especialmente no Senado, onde a PEC da Segurança Pública enfrenta forte resistência da oposição.
A saída de Lewandowski ocorre em um momento sensível do governo, quando Lula começa a reorganizar o tabuleiro mirando 2026. Entre as hipóteses em estudo está a divisão da atual pasta em dois ministérios: Justiça e Segurança Pública, nos moldes do que foi feito durante o governo Temer.
A mudança teria dupla função: dar mais foco ao tema da segurança, hoje um flanco aberto para o governo, e ampliar o espaço de negociação política.
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