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Líderes europeus se unem em apoio à Groenlândia diante da renovada ameaça dos EUA.

COPENHAGUE, 6 de janeiro (Reuters) – Líderes das principais potências europeias e do Canadá se uniram em apoio à Groenlândia nesta terça-feira, afirmando que a ilha ártica pertence ao seu povo, após uma nova ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controle do território dinamarquês.
Nos últimos dias, Trump repetiu que deseja obter o controle da Groenlândia, uma ideia que foi expressa pela primeira vez em 2019, durante seu primeiro mandato como presidente. Ele argumenta que a ilha é vital para as forças armadas dos EUA e que a Dinamarca não fez o suficiente para protegê-la.
O chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, descartou na segunda-feira as preocupações sobre a soberania dinamarquesa.
“Podemos falar o quanto quisermos sobre formalidades internacionais e tudo mais”, disse Miller à CNN. “Mas vivemos em um mundo, no mundo real, que é governado pela força, pelo poder.”

Groenlândia busca reunião urgente com Rubio.
O governo da Groenlândia afirmou ter solicitado uma reunião urgente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, juntamente com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, para discutir a situação.
“Infelizmente, nossos pedidos de reunião têm sido infrutíferos há muito tempo”, disse a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, em uma publicação no Facebook.
Uma operação militar dos EUA no fim de semana, que resultou na captura do líder da Venezuela, reacendeu as preocupações de que a Groenlândia possa enfrentar um cenário semelhante. A Groenlândia tem afirmado repetidamente que não deseja fazer parte dos Estados Unidos.
“A Groenlândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”, afirmou um comunicado conjunto emitido pelos líderes da França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca.
O Canadá e os Países Baixos também apoiaram a declaração.
Os líderes afirmaram que a segurança no Ártico deve ser alcançada coletivamente com os aliados da OTAN, incluindo os Estados Unidos.
“A OTAN deixou claro que a região do Ártico é uma prioridade e os aliados europeus estão intensificando seus esforços”, diz o comunicado.
Para se defender das críticas dos EUA sobre as capacidades de defesa da Groenlândia, a Dinamarca prometeu no ano passado investir 42 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 6,58 bilhões) para reforçar sua presença militar no Ártico.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse a repórteres em Varsóvia: “Nenhum membro deve atacar ou ameaçar outro membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Caso contrário, a OTAN perderia seu significado…”
Em uma declaração separada, os ministros das Relações Exteriores nórdicos – da Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia e Dinamarca – também enfatizaram o direito da Groenlândia de decidir sobre seus próprios assuntos, observando que aumentaram seus investimentos em segurança no Ártico e se ofereceram para fazer mais em consulta com os EUA e outros aliados da OTAN.

Primeiro-ministro da Groenlândia deseja ‘diálogo respeitoso’
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, saudou a promessa de solidariedade dos líderes europeus e renovou seu apelo aos EUA por um “diálogo respeitoso”.
Questionado sobre a declaração conjunta dos europeus na terça-feira, o enviado especial dos EUA, Jeff Landry, disse à CNBC: “A segurança deve ser uma grande preocupação para os Estados Unidos.”
Questionado sobre se a segurança deveria ser tratada em conjunto com a OTAN, ele disse: “Acho que deveríamos perguntar aos groenlandeses.”
No mês passado, Trump nomeou Landry , o governador republicano da Louisiana, como seu enviado especial à Groenlândia, pedindo-lhe que “liderasse a luta” em prol da ilha.
Landry afirmou na terça-feira que Trump estava oferecendo oportunidades econômicas à Groenlândia, mas não acreditava que o presidente as tomaria à força.
“Acredito que o presidente apoia uma Groenlândia independente com laços econômicos e oportunidades comerciais para os Estados Unidos”, disse Landry, acrescentando que os EUA têm mais a oferecer do que a Europa.
LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA PARA SISTEMAS DE DEFESA MÍSSIL
Miller afirmou na segunda-feira que não havia necessidade de pensar na questão no contexto de uma operação militar. “Ninguém vai entrar em guerra com os EUA pelo futuro da Groenlândia”, disse ele à CNN em entrevista.
Apenas algumas horas após a operação de sábado na Venezuela, a esposa de Miller, Katie Miller, postou no X um mapa da Groenlândia pintado com as cores da bandeira americana, acompanhado do texto “EM BREVE”.
A Groenlândia, a maior ilha do mundo, mas com uma população de apenas 57.000 pessoas, não é um membro independente da OTAN, mas está abrangida pela participação da Dinamarca na aliança ocidental.
A localização estratégica da ilha entre a Europa e a América do Norte a torna um local crucial para o sistema de defesa antimíssil balístico dos EUA. Sua riqueza mineral também está alinhada com a ambição de Washington de reduzir a dependência das exportações chinesas.
(US$ 1 = 6,3831 coroas dinamarquesas)



