No Brasil está tudo errado, mas continua tudo certo no mundo dos absurdos
Em meio a tantos absurdos no Brasil parte da opinião pública sofre uma inversão de valores e prefere vivenciar uma letargia que simule um bem-estar ilusório, ao invés de lutar por mudanças reais

Quando parece que não há mais com o quê se espantar eis que emergem novos capítulos do nosso dramalhão bananeiro de todo dia, surpreendendo até os mais céticos. Nesta semana algumas descobertas nada agradáveis foram noticiados e ganharam proporção gigantesca que nos leva a mergulhar num poço existencial de questionamento da própria natureza humana. Talvez seja a conta pelo conformismo do absurdo.
Um exemplo chocante é o caso do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que absolveu um sujeito de 35 anos (com passagens por tráfico de drogas) acusado de abuso sexual de uma menina de 12 anos chocou o país, mas descobriu-se agora que o próprio desembargador relator do caso, Magid Nauef Láuar, está sendo acusado do mesmo crime pelo próprio primo (Saulo Láuar). Saulo alega ter sido vítima de uma tentativa de abuso sexual por parte de Magid Nauef quando tinha 14 anos, época em que trabalhava pro magistrado. A acusação foi feita através de um vídeo postado nas redes sociais em que afirmou: “Ele (Magid Nauef) tentou abusar sexualmente de mim quando eu tinha 14 anos de idade. […] O ato só não se consumou porque eu fugi”. Aí fica a pergunta: o que está acontecendo com a Justiça do país? Porquê membros que deveriam defender as leis são os corruptores dela?
Há também o caso de Conrado Paulino da Rosa (professor de Direito) denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por diversos crimes, dentre os quais de estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado. O inspetor de escola Guilherme de Paula Petelincar foi preso em 2024 por estupro de vulnerável, armazenava fotos e vídeos de pornografia infantil, além de aliciar os meninos para cometer atos libidinosos com eles (as vítimas têm 8 e 11 anos de idade). O mesmo acusado admitiu à polícia ter trocado fotos íntimas via celular com dois estudantes de uma escola na Zona Norte de São Paulo. Outro caso foi de um ministro do STJ acusado de importunação sexual contra uma jovem de 18 anos e outra servidora do órgão.
Não houve uma comoção generalizada e pujante como no caso do cachorro “orelha”. Não querendo banalizar tal maldade com o pobre animal, mas é fato que causou mais mobilização e indignação emocional que o assassinato de uma missionária de 82 anos dentro de um Convento (cujo assassino já tinha vários crimes, mas estava solto). Há uma clara falta de razoabilidade e proporcionalidade com a violência de nossos dias.
Bom, pelo visto a régua moral do brasileiro está condicionada pela régua ideológica que alimenta o que cunhou-se chamar de “futebolização” da Política (é o velho “nós contra eles”). O brasileiro acostumou-se a se compadecer pelo que interessa em nome de um norte ideológico, que ofusca (e muitas vezes cega) seu campo de visão, de esclarecimento e, sobretudo, entendimento dos fatos.
Vivemos num país onde os gastos com o cartão corporativo do governo federal, segundo o TCU, já ultrapassaram R$ 1,4 bilhão (seguidos dos aplausos da claque militante esquerdista); onde os assassinos da Marielle Franco são pessoas ligadas diretamente ao PT e a Esquerda em geral e a irmã da vítima fica em silêncio; onde magistrados da Suprema Corte do país tem envolvimento direto em corrupção com o dono do banco Master; que parlamentares da base do governo Lula fazem de tudo para blindar o governo e aliados envolvidos até os dentes com as fraudes no INSS, do próprio banco Master e onde as pessoas saqueiam cargas de caminhões que tombam em acidentes nas estradas (ignorando sordidamente as vítimas). Como um país assim pode dar certo ou mesmo cativar alguma esperança de melhora?
Há uma inversão de valores que perverteu a moralidade e senso de justiça das pessoas que causam uma fuga consciente de nossa realidade daqueles que preferem selecionar suas indignações, pois aumenta a dopamina e permite a alocação numa zona de conforto ilusória de preocupação com o próximo. Apesar disto, é preferível manter a sanidade, seguir em frente e buscar meios de transformar o caos em prosperidade. Temos a história para comprovar que é possível realizar avanços reais para a humanidade e desistir só piora tudo, pois como diz aquela máxima popular “para que o mal triunfe, basta que os bons façam nada”.



