O 08 de janeiro celebra a vigarice da classe política, revelando-se como a pior mentira da Esquerda nacional
Em cerimônia no Salão Nobre do Palácio do Planalto Lula faz populismo político querendo reescrever a história com o aval do STF, mas apenas reforçou seu apreço pela narrativa militante em detrimento da verdade dos fatos que assombra seu governo

Há 3 anos o início do governo Lula em 2023 foi marcado pelo fatídico evento de “08 de janeiro” em que manifestantes pró-Bolsonaro invadiram as dependências do Congresso Nacional em protesto contra o resultado eleitoral de 2022, que elegeu Lula presidente da república. O ato culminou em vandalismo generalizado movido por toda uma mistura de sentimentos e emoções que se materializaram em depredação pública, baderna e muito sensacionalismo por parte da Esquerda nacional – que não mediu esforços para forjar mais um factoide contra a Direita e se vender mais uma vez como “vítima” de um “fascismo” operante no Brasil. Ou seja, mais uma narrativa vigarista do meretrício militante bolchevique tupiniquim.
A situação foi publicamente rechaçada pela Direita nacional, pois defensora da liberdade de expressão dentro dos limites da lei. Mas isso não importa num país onde a maior parte da imprensa, das universidades públicas, do judiciário e da cultura estão vinculados ideologicamente com a Esquerda. Todos estes asseclas, sob o comando do “comitê central” instalado no Palácio do Planalto e açodados pela velha tática burlesca de Goebbles, trataram de forjar uma narrativa estrategicamente coordenada que levou a alcunha de “tentativa de golpe” e, dessa maneira, justificar todas as arbitrariedades criminosas que condenou a prisão mais de mil pessoas. Desde então há um evidente conflito não entre Direita e Esquerda, mas entre a narrativa esquerdista…e os fatos.
Porém, há muito mais que uma sórdida mentira forjada para fins ideológicos. Existe toda uma sistemática envolvida para manter aquela dinâmica serviçal favorável ao sistema (que foi ameaçada no governo Bolsonaro), valorado por um constructo moral que se consagrou costumeiro e que pacificava as relações mais lascivas da política brasileira. Um coronelismo reciclado de tempos em tempos que facilitava o alcance de muitas “metas” pessoais travestidas de políticas públicas, cujo norte jurídico não é o império das leis, mas sim o império dos conchavos. O cumprimento de acordos espúrios feitos na calada da noite para esconder os escabrosos escândalos de corrupção (como os ocorridos no INSS e no caso do Banco Master) “auditados” pelo clientelismo do Judiciário nacional, as decisões feitas em reuniões de bastidores, nas festas e eventos familiares de muitos parlamentares e gestores públicos e os arranjos eleitorais com participação simbiótica de uma casta empresarial infame (e com extensa ficha criminal) é o mundo perfeito que salvaguarda um tipo sórdido de espírito público, como uma reformulação de Montesquieu lapidada com os traseiros dessa horda de parasitas. Ou seja, existe uma dinâmica selvagem e perversa que esconde as reais intenções políticas e decide o que é bom ou ruim para o país, e retroalimenta condutas antidemocráticas (e criminosas) em nome da “democracia”. Isso tudo é alinhado com todos os partícipes beneficiados com tal intento, em especial da Esquerda, capitaneado pelos partidos do Centrão (bloco parlamentar característico por uma atuação conveniente ao contexto político do momento).
Passados 3 anos o governo federal resolveu mais uma vez “celebrar” a data com uma cerimônia em referência aos apelidados “atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023”, no Salão Nobre do Palácio do Planalto e uma outra, digamos, mais popular na Praça dos Três Poderes convocado pela militância orgânica do partido. Esta cerimônia tem sido realizada anualmente com o objetivo de “reforçar os valores democráticos” (seja lá o que essa colônia militante entenda do termo). Ambos os eventos foram marcados pelo vergonhoso esvaziamento de público, contando apenas com a militância mais fanatizada, de membros do governo e aliados da Esquerda. Além disso, houve a curiosa ausência de ícones do Centrão (em especial Hugo Motta e Davi Alcolumbre) e do ministro Edson Fachin (atual presidente do STF). A cerimônia teve seu embaraçoso ponto alto quando o presidente Lula resolveu “presentear” seus convidados vetando o PL da Dosimetria, proposta aprovada em dezembro de 2025 pelo Congresso Nacional. Lula continuou com o que sabe fazer de melhor: mentir de forma apoteótica sobre defesa da democracia e aplaudindo as decisões arbitrárias da Suprema Corte, fazendo um pérfido gesto político para ganhar os mugidos histriônicos de sua claque militante.
O evento de “08 de janeiro” alimentou uma nova modalidade: a “legalidade” do absurdo. Algo que até então era vista como o fundo do poço do mau-caratismo e vileza política, mas que perdeu a vergonha de se fazer triunfante para “defender o estado democrático de direito”. A conclusão que se extrai de todo este espetáculo trágico de nossa história recente é que há um evidente desprezo pela verdade dos fatos. Os sofistas diziam que ao homem é a medida de todas as coisas, então o que importa é o poder retórico que vence… e convence, entendem?
Não importam os fatos (que foram devidamente ignorados); não importam as falas do então Ministro da Justiça (Flávio Dino) que disse ter visto com seus próprios olhos todo o ocorrido da janela de seu Ministério (mas que nunca entregou as imagens e vídeos para esclarecimento dos fatos); não importa não ouvir e indiciar os responsáveis pela segurança do Congresso Nacional (aliados ou ligados ao presidente Lula e seus asseclas); não importa todo o arranjo torpe e falacioso que imputou ao Bolsonaro responsabilidade por uma “tentativa de golpe” com bíblias na mão e batom; não importam as mudanças e incongruências diversas da delação de Mauro Cid (único elemento acusatório de Moraes contra Bolsonaro e a Direita), sua descredibilidade atroz sobre assuntos que nunca teve certeza ou não se lembra e ainda assim é levado a sério; não importa se o devido processo legal foi rasgado pela Suprema Corte em favor de prender seus inimigos a qualquer custo; não importa se os juízes do caso estavam e clara suspeição por serem adversários políticos declarados dos réus e, portanto, não poderiam jamais julgar tal caso; não importa se um único ministro do STF simplesmente determina uma decisão que passa por cima do Legislativo e fica por isso mesmo; não importa a ausência de provas reais; não importa a morte de Clezão que estava sob a responsabilidade do Estado; não importa a desproporção absurda e abjeta das penas atribuídas; não importa se o MST e todas as agremiações esquerdistas fizeram e fazem pior (como depredar a residência da ministra do STF Carmem Lúcia em aberta ameaça contra suas decisões a época); não importa se assassinos confessos e traficantes ganham o beneplácito da Justiça com penalidade muito inferiores que dos presos pelo 08 de janeiro. Enfim, nada importa, mas apenas a nova palavra de ordem “nós derrotamos o bolsonarismo!” vociferado pelo ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso.
É compreensível tamanho absurdo que testemunhamos nestes 3 anos de puro revanchismo contra os “inimigos da revolução”, pois o espírito chauvinista vermelho determina eliminar os contrarrevolucionários pelo bem da causa. Do mesmo modo a subserviência covarde de alguns representantes do campo liberal (MBL e afins) aplaudindo as bizarrices judiciais por que atingem apenas os bolsonaristas. Tirar o “mito” é chance destes isentões de se tornarem a “nova Direita” permitida pelo Sistema, vendendo para a população a falsa ideia de que existe oposição no Brasil e, portanto, que estamos numa democracia (tal como era o Teatro das Tesouras que dominou o cenário político no Brasil desde os anos 90 com PT versus PSDB).
Ainda que os tempos atuais sejam tenebrosos é preferível seguir em frente, pois uma coisa que a história sempre comprova é que a Esquerda defende seus aliados de ocasião apenas por serem úteis para o momento, e tão logo serão descartados de forma bem cruel. Daí o todo-poderosos de hoje com seus arbítrios imorais serão os primeiros a perecerem no justiçamento bolchevique. O “08 de janeiro” ficará para a história não apenas como uma tragédia forjada pelos cangaceiros do Sistema, mas como farsa que condenou a democracia, aprisionou a liberdade e aflorou o que há de pior da natureza humana quando se tem Poder sem princípios morais, sem valores, sem ética e espírito cívico republicano.



