Os carros elétricos no Brasil: tendência para o futuro da mobilidade urbana?
Os carros elétricos no Brasil são uma forte tendência no mercado automotivo no Brasil, mas isto pode mudar bruscamente com o fim da isenção fiscal e aumento progressivo das alíquotas de importação.

Nos últimos 5 anos o mercado automotivo foi marcado por uma “invasão silenciosa” que mudou a percepção dos brasileiros apaixonados por carros. Os carros elétricos tornaram-se o grande xodó do mercado nacional, caindo de vez no gosto do brasileiro no ano de 2025. É compreensível que algo assim aconteça, pois a renda do brasileiro ainda é baixa, a nossa economia segue enfrentando grandes complicações que não favorece um avanço significativo no quadro no curto e médio prazo.
Apesar disto, somos um mercado atrativo ainda para a indústria automotiva que segue investindo em seus produtos para agradar os olhos do consumidor brasileiro, que, além de beleza no design, procura especialmente por economia de consumo e preço acessível. Neste sentido, os carros elétricos ganharam força no Brasil justamente por oferecerem a combinação entre estes três itens, além do mais os carros elétricos não são poluentes, são cerca de 70% mais baratos em termos de custos operacionais que carros a combustão, manutenção reduzida, incentivos fiscais (como isenção de IPVA e redução de impostos, dependendo do local), além de serem sustentáveis – salientando compromisso ambiental.
Os números são contagiantes: em 2024 houve uma alta de 89%, segundo dados da ABVE. As fábricas em todo mundo ofertam seus carros buscando adaptá-los à realidade de cada mercado. Aqui no Brasil, com um cenário econômico fragilizado, as fabricantes internacionais optaram por modelos mais básicos (melhores que muitos modelos premium das fabricantes nacionais) e mais econômicos, resultando em altas vendagens. Um exemplo são a BYD (responsável pela metade dos carros elétricos e híbridos novos do Brasil em 2025) e GWM, que atualmente dominam o mercado de carros elétricos no país.
Na esteira do sucesso dos carros elétricos, a Toyota aposta suas fichas no seu mais novo lançamento para 2026: o BZ4X. Com uma bateria sólida que não pega fogo, carga rápida de apenas 10 minutos e autonomia de 1500 km a fabricante japonesa promete revolucionar o mercado mundial. Apesar de ser líder no mercado de carros híbridos no mundo, a Toyota pretende ser sucesso também no mercado de elétricos (com boas chances de lançamento no Brasil). Algumas outras marcas como a Volvo, Renault, Caoa Chery, JAC, Hyundai possuem seus modelos elétricos com boa inserção no mercado nacional.
Os carros elétricos no Brasil não são uma realidade de agora, sendo mais antigo do que muita gente imagina. Seu início remonta a 1974 quando o engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel desenvolveu o Gurgel Itaipu, um compacto urbano com autonomia de 60 a 80 km (considerado o primeiro modelo da América Latina, apesar de não ter sido comercializado em grande escala). Há também outro carro elétrico conhecido como Eletrobras, desenvolvido pela Eletrobras Eletropaulo em parceria com outras empresas do setor elétrico na década de 1990. Foi visto com bastante entusiasmo, porém os desafios técnicos e econômicos foram o grande impeditivo para sua continuidade comercial.
Mesmo com toda a efervescência do mercado consumidor, o setor de carros elétricos pode sofrer seu maior baque comercial ainda neste ano de 2026, isto porque o governo federal deve encerrar o incentivo para a importação de carros elétricos. A partir de julho deste ano, a alíquota chegará ao seu maior valor: 35%. Esta isenção tributária foi implantada no governo Bolsonaro que favoreceu grandemente a importação de modelos estrangeiros com alíquota zero, durando até 2023 – quando foi revertida pelo governo Lula a partir de 2024 para incentivar a produção nacional, com os aplausos das montadoras integrantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A BYD deve entrar com um pedido para que o governo prorrogue o benefício para veículos elétricos.
Fato é que a indústria nacional, seja de carros elétricos ou demais produtos, sempre recorre aos seus camaradas do governo para forçar a população a pagar os abusivos preços de seus carros, ao invés de desenvolverem competência competitiva para melhorar a qualidade dos seus modelos e diminuir a alta carga tributária para melhorarem seus preços sem precisar da mão estatal para garantir sua lucratividade. Se isso seguir o Brasil jamais será um mercado atrativo para investimento das grandes empresas do multinacionais, amargando a pecha de eterno curral comercial da indústria nacional.



