Polícia

PF investiga se Campos Neto se omitiu ou foi enganado no Caso Master

Investigação da PF busca esclarecer papel de Campos Neto em processos de venda e reestruturação de ativos ligados ao Banco Master

A Polícia Federal (PF) busca esclarecer o papel de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Master. O inquérito tem como foco determinar o grau de conhecimento da autoridade monetária sobre as irregularidades que cercavam a instituição financeira no momento em que as operações receberam o aval oficial.

Os investigadores querem descobrir se Campos Neto foi deliberadamente enganado por um corpo de diretores — que teria utilizado métodos como a falsificação de assinaturas e a adulteração de documentos para camuflar a real situação do banco de Daniel Vorcaro — ou se, de fato, ele possuía ciência das fraudes e optou por autorizar a transação mesmo diante de sinais de alerta.

A apuração da PF aponta para um esquema de alta sofisticação técnica, estruturado para resistir a auditorias convencionais e burlar os mecanismos de controle do sistema financeiro nacional. A complexidade da engenharia financeira utilizada indica que a fraude só pôde ser perpetrada por meio da adesão coordenada de agentes dos setores público e privado.

Essa rede de influência teria garantido que inconsistências contábeis graves fossem ignoradas ou mascaradas sob uma aparência de legalidade durante o rito de aprovação da venda. Campos Neto foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para comandar o Banco Central entre 28 de fevereiro de 2019 e 31 de dezembro de 2024.

Cruzamento de dados

No momento, o foco das diligências está no cruzamento de dados de comunicações internas e na perícia de documentos digitais para identificar o rastro das decisões tomadas pela cúpula do Banco Central. A investigação tenta montar o quebra-cabeça de como uma estrutura tão robusta de compliance falhou.

O desfecho do caso é visto como crucial para a recuperação da credibilidade das instituições reguladoras, uma vez que coloca sob suspeita a integridade dos processos de fusões e aquisições que passam pelo crivo do Estado.

 

 

Metrópoles

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