
A Polícia Federal colherá hoje a partir das 14h os depoimentos do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e do diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino Santos, para checar as condições e os motivos que levaram o órgão regulador do sistema financeiro a negar a venda do banco Master para o BRB.
Caso a PF considere necessário, haverá acareação entre os três.
O que aconteceu
Ministro do STF Dias Toffoli havia convocado acareação antes que cada um fosse ouvido individualmente. Ele também manteve a acareação mesmo após BC entrar com recurso. Ontem, no entanto, foi comunicado que a PF colherá os depoimentos de cada um separadamente, e a acareação ficará a critério da delegada.
Daniel Vorcaro será ouvido presencialmente. O ex-presidente do BRB e o diretor de Fiscalização do BC falarão a distância. Tudo será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli e por um membro do Ministério Público.
Convocação de diretor do BC por Toffoli gerou controvérsia
Banco Central entrou com recurso questionando se o diretor do órgão seria ouvido como testemunha, acusado ou ofendido. Toffoli afirmou que nem o Banco Central nem o diretor de Fiscalização são investigados. A convocação gerou indignação no corpo técnico da instituição.
Toffoli quer checar versões que seriam contraditórias. Segundo o ministro do STF, a participação do diretor do Banco Central é de “especial relevância” para esclarecimento dos fatos. A investigação busca apurar as negociações que trataram da tentativa de venda do Master para o BRB.
Caso estava na Justiça Federal de Brasília, antes de ir para o STF. Toffoli decidiu que os próximos atos da investigação ficarão provisoriamente com o Supremo, após pedido da defesa de Vorcaro. O ministro afirmou ainda que decidiu manter o sigilo do caso para não atrapalhar o trabalho dos policiais.
Há ministros do STF que veem conduta de Toffoli como chance de o ministro anular liquidação do Master. Segundo a colunista do UOL Carla Araújo a aparente pressa de Toffoli em realizar a acareação e a determinação de avocar o caso para si foram citados por um integrante da Corte como a demonstração de que o ministro poderia, “na canetada”, usar uma medida extrema, com potencial de abalar a independência do BC. Colegas da Corte, entretanto, discordam dessa versão, aponta a jornalista.
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