Maranhão

Revolta de Camarão, afastamento de Brandão e CPI da ALEMA: a vingança como expediente político eleitoral

O cenário político do Maranhão ganha contornos nada agradáveis que podem confluir para uma disputa eleitoral mais hostil e violenta nas eleições deste ano

A situação política no Maranhão ganhou nesta semana mais um capítulo que incendiou os bastidores no Palácio dos Leões, aumentando ainda mais o clima de suspense em torno do governador Carlos Brandão sobre seu possível afastamento do cargo de governador.

É de conhecimento público a briga política entre brandonistas e dinistas, que escalou de tal forma que a Suprema Corte brasileira entrou no ringue, a pedido de Flávio Dino, para forçar Carlos Brandão a jogar a toalha. Porém, o governador resolveu aumentar a aposta assegurando que permanece no cargo custe o que custar. Na semana passada o vice-governador Felipe Camarão (PT-MA) fez um caloroso desabafo em suas redes sociais (com momentos bem dramáticos) questionando a decisão MPMA de pedir seu afastamento do cargo em virtude de indícios de crimes de lavagem de capitais e infrações penais relacionadas a administração pública. Camarão fez o esperado: acusou tal medida de conluio político com brandonistas para afastá-lo da disputa eleitoral deste ano, que nunca aceitou negociar o cargo, que nunca cedeu a “pressões de coronéis” e falou até de “monitoramento ilegal” contra sua vida e de sua família (bem ao estilo “Dorama” maranhense).

A trupe do Palácio dos Leões, em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre seu afastamento também, não perdeu tempo e iniciou os ritos de instauração de uma CPI, última quarta-feira (25) na Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA), justamente para investigar as denúncias de corrupção contra Felipe Camarão. É abem curioso e bastante incomum que o Maranhão tenha, simultaneamente, pedidos de afastamento tanto do governador quanto do vice-governador, fortalecendo ainda mais a hostilidade política entre brandonistas e dinistas.

Enquanto isso, a Direita e Centro-direita passeia como espectadora deste espetáculo tragicômico, tangenciando a verve ensandecida que alimenta a disputa interna do lado lulista da política no Maranhão – na qual ainda luta para saber em qual palanque o presidente Lula vai ficar. Tenso!

Vale lembrar o papel controverso da Suprema Corte sobre este e outros casos referentes a política eleitoral no estado, pois outros processos foram reabertos “coincidentemente” contra figuras políticas de destaque classificados como desafetos do ministro Flávio Dino, como o pré-candidato a senador Roberto Rocha que aparece liderando as pesquisas para o Senado no Maranhão.

Nos bastidores do Palácio dos Leões o clima é de confiança, pois o governador do estado é categórico ao ratificar que jamais sairá do cargo. Se o afastamento de Brandão de fato vai acontecer é melhor que seja antes do dia 4 de abril, pois será mais difícil retirar o governador de seu cargo quando a janela eleitoral fechar. Caso o afastamento aconteça (seja estra semana ou depois) o ambiente político no estado será o pior possível, com virulência e animosidade extrema, tudo isso tendo o sentimento de vingança como combustível eleitoral.

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