Política

Senado dribla Alcolumbre e apura caso Master mesmo sem CPI própria

 

BRASÍLIA Apesar de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicar que não deve abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master, senadores têm driblado essa decisão com iniciativas próprias que miram apurar o caso em três frentes.
Daniel Vorcaro, dono do Master, seria ouvido no Senado em dias consecutivos na mesma semana, em duas comissões distintas e ainda pode ser convocado em uma terceira, como parte das investidas dos senadores na investigação de fraudes financeiras.

Os depoimentos estavam marcados para segunda-feira (23) e terça- feira (24), na CPI mista do INSS e na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Vorcaro decidiu não comparecer à CPI após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), não autorizar o uso de um jato particular para a ida a Brasília. Ele também não vai comparecer à CAE nesta semana.
Mendonça, relator do caso Master no STF após a saída de Dias Toffoli, também decidiu que Vorcaro não era obrigado a comparecer à CPI, que havia aprovado em dezembro um requerimento convocando o ex- banqueiro para depor como testemunha.

Além da CPI mista do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), e da CAE, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI do Crime Organizado, comandada pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), também deve tratar do Master. O relator da CPI é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Mesmo com essas três iniciativas em andamento, os senadores ainda pressionam por uma CPI própria do Master, o que depende de Alcolumbre. Há dois requerimentos, um de CPI mista e um de CPI do Senado, com assinaturas suficientes para a instalação, mas a prerrogativa de dar andamento a esses pedidos é do presidente da
Casa.

Como mostrou a coluna Painel, da Folha, Alcolumbre já fez chegar a seus aliados que não vai instalar uma comissão para apurar as fraudes do banco. Senadores afirmam que ele não vai mexer no vespeiro em ano eleitoral. A avaliação é que o desgaste pode se multiplicar de forma incontrolável, comprometendo diversos partidos.
Vieira, porém, diz que “uma CPI só é enterrada se não houver recurso à Justiça”, como aconteceu no caso da CPI da Covid, instalada a partir de uma decisão liminar do STF.
Renan diz ter assinado o pedido de CPI do Master e defender sua instalação. Ele afirma que as iniciativas do Senado são complementares e não disputam protagonismo.
Vorcaro deveria ser ouvido na CAE e, em seguida, na CPI do INSS, mas Viana adiantou o depoimento do ex-banqueiro para “garantir prioridade absoluta” aos trabalhos da comissão, segundo ele. Do outro lado, Renan acusa o centrão de tentar esvaziar a CAE com o objetivo de não ser atingido pelas apurações.

“A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional como um todo, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação”, disse Renan em nota.

Viana foi procurado, mas não respondeu à reportagem.
A CPI do Crime organizado pretende avançar em relação às ligações entre ministros do STF e investigados no Master. A Folha revelou que empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Master em fraudes. O magistrado, por sua vez, é sócio de firma que foi dona do resort Tayayá e vendeu cotas do negócio a um fundo ligado às investigações sobre Vorcaro.
Outro ministro envolvido é Alexandre de Moraes, já que o Master contratou o escritório de sua mulher, Viviane Barci, por R$ 3,6 milhões mensais, segundo o jornal O Globo.

Folha de São Paulo

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