Primeira mulher passa a operar guindaste no cais do Porto do Itaqui
A maranhense Carla Anceles tornou-se a primeira mulher a operar um guindaste no cais do Porto do Itaqui, em São Luís, marcando um feito histórico para o setor portuário do Maranhão e reforçando o avanço da participação feminina em funções tradicionalmente ocupadas por homens.

SÃOCarla chegou ao complexo portuário há quase dois anos como auxiliar de serviços gerais, contratada pela COPI, empresa que atua no Porto do Itaqui. Desde o início, tinha um objetivo claro: crescer profissionalmente dentro do porto.
“Como maranhense, a meta era entrar no Porto do Itaqui. Não importava o cargo”, afirmou.
Após ingressar na empresa, ela passou a operar máquinas de linha amarela, iniciando pela pá mecânica, depois escavadeira e Bobcat, cumprindo seis meses como trainee até ser promovida a operadora de máquinas.
O passo decisivo veio após participar de um treinamento da fabricante Liebherr, realizado no próprio porto, que garantiu sua certificação para operar guindastes. Depois de mais seis meses como trainee, Carla foi efetivada como guindasteira, tornando-se a primeira mulher a desempenhar a função no cais do Porto do Itaqui.
Participação feminina ainda é minoria nos portos brasileiros
O feito ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional. De acordo com a Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário 2024, da ANTAQ, as mulheres representam apenas 17,8% da força de trabalho nos portos brasileiros, concentradas principalmente em cargos administrativos. As funções operacionais seguem sendo um dos maiores desafios para a presença feminina.
Nesse contexto, a conquista de Carla representa um importante avanço para a inclusão de mulheres na operação portuária.
Porto do Itaqui amplia protagonismo feminino
O avanço também reflete a política de valorização da presença feminina no Porto do Itaqui. Desde outubro de 2025, a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) é presidida por Oquerlina Costa, primeira mulher a comandar efetivamente a autoridade portuária.
Atualmente, 48% dos cargos de liderança da Emap são ocupados por mulheres, percentual superior à média registrada no setor portuário nacional.
Para a presidente da Emap, o pioneirismo de Carla representa uma oportunidade para incentivar novas profissionais.
“A Carla vem inspirar e abrir caminhos para outras mulheres atuarem não só no setor administrativo, mas também no operacional, seja operando máquinas, no planejamento ou na logística”, destacou.
O reconhecimento também foi celebrado pela COPI, que entregou oficialmente o certificado da função à colaboradora.
Segundo o diretor-presidente da empresa, Guilherme Eloy, o exemplo de Carla deve incentivar outras mulheres a seguirem carreira no setor portuário.
“Vai servir de exemplo para o Brasil inteiro, não só para o Arco Norte, de incentivar novos talentos e a participação das mulheres no mercado portuário. Com certeza vamos ter outras Carlas.”
Porto do Itaqui vive fase de expansão
O marco acontece em um momento de crescimento do Porto do Itaqui. O complexo responde por cerca de 35% do ICMS arrecadado no Maranhão, gera aproximadamente 14 mil empregos diretos e indiretos e, em maio de 2026, registrou o maior volume mensal de movimentação de granéis sólidos de sua história, com mais de 2,7 milhões de toneladas.
Além disso, a entrega do Berço 98, prevista para 2026, deve ampliar em mais de 8 milhões de toneladas a capacidade anual de exportação do porto.
Para Carla, a conquista representa muito mais que um avanço profissional.
“É um privilégio e uma honra carregar o nome da COPI e do Porto do Itaqui, sendo a primeira no cais. Tive um começo pequeno, mas com um cargo gigante, que agora levo com honra e orgulho”, concluiu.
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