
Em um perfil num aplicativo de namoro, um homem de 26 anos de Florianópolis explica que “quer encontrar uma adorável mulher branca tradicional”.
Em outra mensagem, um mineiro explica que tenta “encontrar minha parceira branca, porque onde moro, a maioria das mulheres brancas tende a preferir homens negros ou mestiços”.
“Além disso, não pretendo continuar morando aqui por muito tempo. Sim, sou sul-americano, mas com ascendência europeia, principalmente. Meu sonho é me mudar para a Europa, não como imigrante (pois posso ter cidadania europeia porque tenho dois avós gregos e um deles ainda está vivo, felizmente), e preservar meus genes e minha raça, tendo pelo menos dois filhos com uma mulher branca e tradicional”.
Os perfis fazem parte do site WhiteDate, uma espécie de Tinder exclusivo para supremacistas brancos. No começo de janeiro, a hacker alemã conhecida como Martha Root se vestiu com uma fantasia de Power Rangers e, diante de um público de especialistas em segurança, rompeu as barreiras do site de encontros supremacista branco.
Ao vivo, ela extraiu mais de 8 mil perfis de usuários, com forte concentração nos EUA e na Europa. O ato que ocorreu durante o 39º Congresso de Comunicação do Caos (CCC), em Hamburgo, gerou debates nas comunidades cibernética. Horas depois, o site saiu do ar.

Com 25 anos e vivendo em Minas Gerais, um estudante alemão de engenharia anunciava que estava “cercado de anti-Brancos (universidade), mas não podemos desistir”. “Precisamos nos manter firme. Nosso povo é o bem mais precioso e precisamos amor. Afinal, apenas tentando achar uma companheira”, completou.
O aplicativo também conta com mulheres. “Desejo me juntar à comunidade WhiteDate porque anseio por um vínculo enraizado na honra, na tradição e num profundo senso de pertencimento”, afirmou uma brasileira nas redes sociais. “Dentro de mim reside uma alma antiga, moldada pelas memórias de um mundo mais ordenado, onde o amor era sagrado e a família, um legado”, afirmou.
“Passei anos me sentindo deslocada na era moderna, até perceber que o que carrego não é fraqueza, mas a força silenciosa de gerações passadas. Ser mãe é a mais nobre vocação da minha existência. Em cada gesto, sonho e palavra, pulsa o desejo de nutrir, ensinar e proteger, de transmitir, em corações pequenos e ternos, os aspectos mais nobres e belos da nossa herança europeia. Não busco apenas um parceiro, mas um guardião de valores eternos, alguém que compreenda que amar é também plantar raízes”, completou.
Um homem de São Paulo ainda se queixou de seu entorno para justificar a busca pelo site.
“Moro no brasil, onde há poucos brancos de verdade e isso me fez me sentir uma minoria”.
Na Europa, a revelação dos perfis gerou ainda um abalo na política local. No Reino Unido, uma vereadora conservadora foi suspensa do partido por sua participação no site. A representante é Lillith Osborn e foi citada pelo jornal The Observer como uma das 450 pessoas no Reino Unido que tinham perfis no WhiteDate.
A investigação do jornal The Observer revelou que cerca de 450 dos 8.000 perfis compartilhados online eram do Reino Unido e incluíam ex-membros do Partido Nacional Britânico (BNP) e ativistas do grupo neonazista Alternativa Patriótica.
As descobertas levaram grupos políticos a pedir a renúncia dos envolvidos. Sarah Dyke, deputada do Partido Liberal Democrata, afirmou que Lillith Osborn teria uma atitude “absolutamente repugnante”.
“Fiquei totalmente chocada e decepcionada ao saber que Lillith Osborn, vereadora conservadora representando o distrito de St. John’s em Glastonbury, foi revelada como membro de um site de encontros supremacista branco”, disse.
“É correto que o Partido Conservador tenha optado por suspender a filiação da vereadora Osborn enquanto a investigação estiver em andamento. Peço à vereadora Osborn que assuma maior responsabilidade e renuncie ao Conselho Municipal de Glastonbury após essa revelação repugnante.
Crenças supremacistas brancas são absolutamente repugnantes e estão em desacordo com a cidade inclusiva, diversa e acolhedora que Glastonbury representa”, completou.
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