
A lobista Roberta Luchsinger (foto em destaque), amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, recebeu R$ 2,2 milhões do empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP ou Eduardo Imperador. Ele é acusado pela Polícia Federal (PF) de operar esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares junto ao deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho (União-MA).

O repasse milionário foi identificado em relatório do Coaf e citado no inquérito da Polícia Federal sobre a Farra do INSS. O documento, de caráter sigiloso, foi obtido com exclusividade pela coluna.
Roberta Luchsinger é amiga da família do presidente Lula (PT) e investigada na Operação Sem Desconto em razão da proximidade que mantinha com o também lobista e empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. No total, a Polícia Federal identificou pagamentos que somam R$ 1,5 milhão do Careca do INSS para Roberta Luchsinger. O depoimento de um ex-funcionário do empresário e mensagens de WhatsApp analisadas pelos investigadores indicam que o repasse tinha como destino o próprio Lulinha, chamado de “o filho do rapaz”.
No relatório obtido pela coluna, a PF não avança especificamente sobre a transação milionária realizada por Eduardo DP com a lobista. O repasse ajuda a traçar, no entanto, a teia de atuação de Roberta Luchsinger na política.
Ao longo dos últimos anos, a lobista se tornou muito próxima do empresário Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton (PDT) e ex-sócio justamente de… Juscelino Filho. O deputado federal foi indiciado, junto a Eduardo DP, pela Polícia Federal e denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por conta do esquema de desvio de verbas públicas. O político é acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, falsidade ideológica e fraude em licitação.

Entre as irregularidades identificadas, o ex-ministro das Comunicações do governo Lula direcionou R$ 5 milhões do orçamento secreto para asfaltar uma estrada de terra que passa em frente à sua fazenda, em Vitorino Freire (MA). O caso foi revelado pelo Estadão. Eduardo DP, por sua vez, é apontado como sócio oculto da Construservice, responsável pela obra e suspeito de pagar propina a funcionários públicos para ganhar contratos milionários junto à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Ele já foi preso em julho de 2022.
A coluna procurou a defesa de Roberta Luchsinger, que não esclareceu o motivo do envio de R$ 2,2 milhões, tampouco se ela prestou algum tipo de serviço para o empresário. Em nota, o advogado Bruno Sales afirmou, contudo, que as “movimentações relativas à atividade privada da lobista não devem ser alvo de devassa pública no âmbito social e mesmo no âmbito judicial”.
Confira a nota na íntegra enviada pela defesa de Roberta Luchsinger
“As informações publicadas na matéria sobre as informações financeiras de Roberta Luchsinger (e, portanto, sigilosas), relativas a transferências para uma agência de viagem, bem como as informações cujos esclarecimentos foram solicitados para a presente matéria, são oriundas de uma Relatório de Análise Judiciária, elaborado por dois Agentes de Polícia Federal, que examinou os RIFs (Relatórios de Análise Financeira) de Roberta e de sua empresa, a RL Consultoria.
Trata-se de documento altamente sigiloso e que foi vazado criminosamente, provavelmente, pesa dizer, por agentes públicos.
Embora Roberta e seus representantes tenham esclarecidos uma série de pontos relativos à supostas ligações com o ‘Caso INSS’, as transferências ora apontadas, oriundas de sua regular prestação de serviço, são recebimentos que não guardam qualquer relação, ainda que remota, com o caso. Pelo contrário, são movimentações relativas à sua atividade privada e não devem ser alvo de devassa pública no âmbito social e mesmo no âmbito judicial, o que representaria clara prática do que é comumente chamado de fishing expedion.
Assim sendo, a defesa de Roberta se reserva ao direito de não comentar assuntos atinentes a esfera eminentemente privada da sua empresa e que não são alvo de qualquer tipo de investigação, salientando que o vazamento dos documentos retromencionados será alvo de nova representação ao Supremo Tribunal Federal, para apuração de seus responsáveis.”
Metrópoles



