Coluna do Convidado

Josias de Souza: Moraes fornece matéria-prima para futura ação de Bolsonaro

Alexandre de Moraes acionou o instinto de sobrevivência. Num momento
em que o Estado brasileiro negocia com Daniel Vorcaro uma colaboração
premiada potencialmente explosiva, que pode envolver ministros do
Supremo, ele desengavetou ação que discute os limites dessa ferramenta
jurídica. Foi ajuizada em 2021 pelo PT. Moraes pediu sua inclusão na
pauta de julgamentos do plenário do Supremo. Não é mera coincidência.

Juridicamente, Moraes fornece matéria-prima para uma futura ação de
revisão criminal em favor de Bolsonaro. No complô do golpe, as
condenações foram escoradas em provas obtidas a partir da colaboração
de Mauro Cid. Ele prestou 12 depoimentos. Modificou ou ajustou a
delação pelo menos cinco vezes. A colaboração foi homologada por
Moraes.

Entre as questões levantadas pela ação do PT está a espontaneidade do
delator. A língua de Vorcaro só destravou depois que o Supremo
avalizou a permanência dele numa cela do presídio federal de segurança
máxima de Brasília. Mauro Cid também estava preso quando optou por
delatar. Foi solto após a homologação do acordo.

O Supremo ainda não marcou data para julgar a ação antidelação
desengavetada por Moraes. No momento, uma frase ganha força como
síntese política da movimentação do ministro: delação na biografia dos
outros é refresco. Difícil mesmo é quando o delator ameaça reescrever
o verbete da enciclopédia de alguém que imaginava ter assegurado na
história um perfil de herói, não de vilão

 

UOL

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