
Cinco meses após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, a apuração da maior fraude bancária da história do país também deu frutos com inquéritos paralelos. Os investigadores tentam montar o quebra-cabeça dos chamados “filhotes” do Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, a instituição financeira era o centro de uma teia de crimes arquitetada com centenas de fundos de investimentos. O dono do banco, Daniel Vorcaro, teria construído uma rede de conexões políticas para sustentar o esquema.
As frentes da operação resultaram na liquidação do Master e de outras instituições ligadas à empresa. Os desdobramentos também levaram à prisão de Vorcaro (em novembro e em março) e, mais recentemente, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
Ao longo do tempo, novas pontas foram surgindo. Em janeiro deste ano, a PF abriu inquérito para apurar a suposta contratação de influenciadores digitais com o objetivo de defender o Master e atacar o Banco Central (BC) nas redes sociais após a liquidação da instituição financeira.
De acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), desde novembro do ano passado, foi identificado volume atípico de publicações nas redes sociais relacionadas ao caso. A apuração é conduzida pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) e tramita sob sigilo.
“As novas evidências apresentadas agora a esta Suprema Corte comprovam que Felipe Mourão (Sicário) faz a ponte entre os desejos de Daniel Vorcaro de influenciar a opinião pública e influenciadores contratados pela organização criminosa”, afirma o relatório da PF.
Outra ramificação do caso Master é a suposta corrupção de servidores do Banco Central. Eles teriam prestado “consultoria informal” com indícios de vantagens indevidas para Vorcaro. Além da PF, o BC instaurou inquérito para apurar as irregularidades e afastou os envolvidos.
Também é apurada a possibilidade de fraudes em empréstimos consignados para aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) envolvendo o Master. O banco é suspeito de realizar empréstimos sem autorização dos beneficiários e de emitir cartões consignados (Credcesta) com regras flexibilizadas.
O advogado Luís Felipe Chaves Machado aponta que as investigações em casos complexos normalmente avançam por etapas. À medida que os investigadores reúnem novos elementos, surgem outras frentes de apuração.
“É como um quebra-cabeça: algumas peças revelam uma imagem inicial, mas essa imagem, por sua vez, aponta para outras conexões que precisam ser investigadas. O objetivo é reconstruir toda a cadeia do esquema, desde sua origem até seus beneficiários finais, identificando os prejuízos, os prejudicados, os favorecidos, os eventuais agentes corruptos e os mecanismos usados para ocultar ou movimentar os valores”, ressalta.
Segundo ele, as ramificações vão permitir a PF entender a real extensão do esquema, delimitar a responsabilidade de cada envolvido, mensurar os danos causados e, sobretudo, buscar a recuperação dos ativos obtidos de forma ilícita.
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