PF diz que Weverton fazia pedidos, indicava beneficiários e cobrava pagamentos em esquema de lavagem de dinheiro
Senador não foi alvo de operação da PF realizada nesta terça. Mas familiares do parlamentar foram alvos de busca e apreensão; a esposa teria recebido R$ 11 milhões no esquema. PF também mirou advogado.

Investigadores da Polícia Federal apontam que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) exercia papel central em uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, o parlamentar atuava diretamente ao formular pedidos, indicar beneficiários, cobrar repasses, gerenciar imóveis e interferir em decisões patrimoniais.
As conclusões dos investigadores constam de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto – que surgiu, incialmente, após suspeitas de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Ao analisar material apreendido no celular de Weverton Rocha, os investigadores constataram um “quadro mais amplo”, caracterizado pelo fluxo de milhões de reais em contas pessoais, familiares e empresariais, além do uso de dinheiro em espécie e movimentações patrimoniais de alto valor.
Policiais federais cumprem nesta terça-feira 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, no Distrito Federal e no Maranhão.
Weverton Rocha não foi alvo da operação da PF desta terça-feira (4). No entanto, esposa, filha e duas irmãs do parlamentar estão entre os alvos de mandados de busca e apreensão. A PF também mirou o advogado Willer Tomaz.
Em nota, o senador Weverton Rocha afirmou que “todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais” (veja na íntegra mais abaixo).
A defesa do advogado Willer Tomaz informou que a esposa do senador trabalha no seu escritório de advocacia e que “os valores a ela repassados decorrem da prestação de serviços advocatícios”. Também afirma que Willer “jamais” teve envolvimento com os fatos apurados na Operação Sem Desconto (leia a íntegra aqui).
‘Hub financeiro’
De acordo com a Polícia Federal, a estrutura ligada ao advogado e empresário Willer Tomaz funcionava como um verdadeiro “hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição dos beneficiários, entre eles o senador Weverton.
A rede de Willer Tomaz fornecia sustentação por meio de empresas, imóveis, aviões, pilotos e operadores financeiros.
Fayla Zulmira Menezes, identificada na agenda de Weverton como “Financeiro WT Fayla Zulmira”, ocupava papel de destaque como operadora do esquema, segundo a PF.
As mensagens revelam que Fayla controlava saldos, executava transferências, encaminhava comprovantes, gerenciava entregas em dinheiro vivo e consultava Willer Tomaz antes de atender a pedidos diretos formulados pelo parlamentar.
Diálogos reproduzidos no relatório da PF mostram que, entre setembro e outubro de 2024, Weverton cobrou expressamente um repasse de R$ 500 mil.
Após consultar Willer, Fayla escreveu ao senador: “Informo que o valor já se encontra na conta PF da Dra Samya”, referindo-se a Samya Rocha, esposa do parlamentar.
Relatórios policiais revelaram que, no período analisado pelas investigadores, Samya recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas vinculadas a Willer Tomaz, notadamente sob a rubrica “AT” — uma possível referência ao escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados, segundo a PF.
No relatório encaminhado ao STF, a Polícia Federal descreve as parentes de Weverton e as atribuições delas no esquema investigado. Conforme os investigadores:
- Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa de Weverton: é vinculada à Rocha Holding Patrimonial, que recebeu repasses expressivos e participou de tratativas sobre imóveis e despesas familiares.
- Anna Catarina Viana Rocha, filha de Weverton: é gestora operacional dos postos de gasolina Petro São Francisco e Petro São José, organizava listas de pagamentos, transferências e depósitos.
- Geyse Rocha Linhares, irmã do senador: é administradora de propriedades rurais e empresas de radiodifusão e cuidava de documentos do grupo.
- Shainess Kellmassen Rocha Marques de Sousa, irmã do senador: seria o canal bancário de passagem para recebimento, depósitos de valores em espécie e redistribuição de recursos.
Mansão em bairro de luxo e rede de postos
A investigação também mirou a aquisição de uma mansão situada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, apontada como residência de Weverton.
Registros indicam que o parlamentar teria negociado a compra por R$ 6 milhões, sendo R$ 4 milhões de sinal e R$ 2 milhões de saldo.
Contudo, em abril de 2023, o imóvel foi registrado formalmente em nome da empresa WT Administração de Imóveis e Bens, pertencente a Willer Tomaz.
Para a PF, a “dissociação entre a titularidade registral e o domínio econômico” constitui ponto central da apuração.
Outro braço da lavagem operava por meio das contas dos postos Petro São Francisco e Petro São José. Apesar de apresentarem situação financeira crítica, as contas dos postos serviam para adquirir fazendas, comprar maquinário agrícola e realizar repasses milionários a empresas do grupo, como a DJ Agropecuária e a Rocha Holding.
Em um dos episódios relatados pela PF, a construtora Qualitech Engenharia Ltda teria transferido, em julho de 2024, R$ 5 milhões para a Petro São Francisco que, no mesmo dia, repassou o montante para a DJ Agropecuária.
Anna Catarina Rocha, filha de Weverton, providenciava contratos de empréstimo posteriores para tentar conferir justificativa contábil às transações.
Dinheiro vivo, jatinhos e apreensão de R$ 1 milhão
A Polícia Federal apurou uma intensa movimentação de valores em dinheiro coincidentes com voos privados entre Brasília e o Maranhão.
Planilhas mantidas por Fayla Zulmira apontam lançamentos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo para custeio de aeronaves, hangares e despesas operacionais.
A tese policial ganhou respaldo com um fato posterior ocorrido em 11 de maio de 2026, quando a PF apreendeu R$ 1 milhão em espécie em poder de uma pessoa que, em tese, destinaria o numerário a um ex-assessor do senador Weverton.
Outro indício envolveu depósitos em espécie e trocas de mensagens. Em abril de 2023, Weverton orientou a filha a ir à residência de um advogado. Nessas conversas, aparecem as palavras “processo” e “páginas” — códigos interpretados por investigadores como referências a maços de cédulas.
Dias depois, teriam ocorrido depósitos em dinheiro nas contas dos postos, seguidos de transferências para a conta pessoal do senador.
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O que diz o senador Weverton Rocha:
“Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques.
Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava, que eles fossem tão longe, ao envolver a minha família, e até apoiadores políticos.
Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder.
Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal.
Quero ressaltar, que o Ministério Público Federal, foi novamente contra a busca e apreensão contra meus familiares e apoiadores.
Apesar da dureza do jogo político, reafirmo que não me renderei. Me manterei firme no propósito de lutar pelo Maranhão, ao lado de todos que mais precisam.”
Veja a nota enviada pelo advogado Willer Tomaz na íntegra:
“O advogado e empresário Willer Tomaz esclarece que jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados no âmbito da Operação Sem Desconto e que não figura como investigado no referido procedimento da Polícia Federal. Reforça ainda que a disponibilização da aeronave ao senador Weverton Rocha ocorreu em caráter estritamente pessoal e amistoso, sem qualquer vínculo com os fatos investigados pela operação.
A advogada Samya Rocha atua há vários anos como associada do escritório de advocacia. Todos os valores a ela repassados decorrem da prestação de serviços advocatícios, estão devidamente documentados e foram regularmente declarados. Quanto ao imóvel mencionado, Willer Tomaz esclarece que, em sua atuação empresarial, é proprietário de uma imobiliária sediada em Brasília, que possui, administra e negocia diversos imóveis na capital federal. As atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas.”
G1 MA



