Governo Lula cria atrito com trabalhadores brasileiros da BYD
A demissão do chefe da fiscalização da SIT causou danos na imagem do governo perante os trabalhadores brasileiros da empresa chinesa BYD e da Anafitra, que vê interesses políticos do Ministério do Trabalho e Emprego

Começamos a semana com uma situação tensa e muito constrangedora para o governo federal. Na última segunda-feira (13) o secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, foi exonerado dias depois de incluir a montadora chinesa BYD na chamada “lista suja” do trabalho escravo. A inclusão decorreu após auditoria que identificou 163 trabalhadores em condições precárias na fábrica da BYD em Camaçari (BA), caracterizado como condições análogas à escravidão (o que gerou atrito entre o governo e a fiscalização).
A tal “lista suja” foi atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego no dia 6, onde constava 169 novos empregadores – o que elevou para 613 o total de nomes – e entre estes nomes estava a BYD. O que mais chama atenção é que dois dias depois esta mesma empresa conseguiu remover seu nome através de um mandado de segurança contestando a inclusão na tal lista. Segundo bastidores em Brasília, a exoneração de Luiz Felipe Brandão de Mello “se trata de ato administrativo de gestão, de prerrogativa de ministro de Estado”. Porém, a demissão de Luiz Felipe provocou forte indignação de entidades do setor, em especial da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Anafitra). Em nota, a entidade expressou seu absoluto repúdio pelo ocorrido e aponta que a exoneração estaria associada a uma interferência política do próprio Ministério do Trabalho, via Luiz Marinho.
Parece que o governo Lula é seletivo no acolhimento da classe trabalhadora que tanto vocifera defender. Quando auditores do trabalho cumprem suas atribuições no exercício do cargo e são alvo deste tipo de retaliação, ilustra uma forma tendenciosa de defesa de outra classe de trabalhadores: das empresas. Outra coisa: dos nomes da “lista suja” até agora somente a BYD conseguiu o beneplácito de ter seu nome retirado, o que é demasiadamente constrangedor na medida que a empresa é chinesa e o governo Lula é ideologicamente de esquerda.
Ademais, nota de repúdio nunca resolveu qualquer problema ou cizânia de qualquer classe ou categoria. É apenas uma posição que simboliza no máximo um desabafo ou insatisfação pontual, mas resolver mesmo um problema… não resolve. Temos como exemplo as notas insípidas das Forças Armadas que por anos substituiu as armas e reputação heroica de sua história por notas de repúdio cada vez que eram atacados, achincalhados e grosseiramente vilipendiados pelas hordas militantes da Esquerda. Quem sabe agora estas associações de trabalhadores aprendam a reagir de forma eficiente, pois do contrário serão absorvidas pelas diretrizes trabalhistas chinesas, que pelo visto é o que o governo do PT prefere.



