Maranhão

CPI contra Camarão endossa a perseguição como instrumento político

A CPI da ALEMA contra o vice-governador do Maranhão reforça a hostilidade do vale-tudo das disputas eleitorais no estado.

O jogo político brasileiro tem características comuns comparado a outros países, mas possui algumas particularidades bem genuínas escamoteadas pelo discurso de “defesa da democracia” e “do estado de direito”. Tem até quem considere algumas infames artimanhas de bastidores como virtudes políticas (quando utilizadas em favor dos interesses de quem as usa). Neste sentido qualquer iniciativa é válida, sobretudo quando trabalhada como resposta ou vingança contra desafetos políticos. É o caso do vice-governador Felipe Camarão (PT-MA).

Em março deste ano a Assembleia Legislativa do Maranhão iniciou os ritos de instauração de CPI para investigar denúncias de corrupção contra Felipe Camarão. O requerimento de instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito é de autoria do deputado estadual Dr. Yglésio, e aponta a existência de fortes indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas, supostos repasses de valores a terceiros, a possível utilização de servidores públicos e da estrutura administrativa da vice-governadoria do Estado, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) ligados ao atual pré-candidato a governador do Maranhão Felipe Camarão.

Neste mês de maio aconteceu a primeira reunião para definição do comando dos trabalhos da CPI, como eleição da mesa diretora, dos cargos, os deputados devem organizar a dinâmica de funcionamento da comissão e, a partir daí, começa a fase operacional da comissão. Mas o que está por trás dessa CPI verdadeiramente? Porque realizá-la justamente em ano eleitoral? Estranho, mas previsível!

É de conhecimento público a ruptura política entre os grupos de Carlos Brandão e Flávio Dino que, antes aliados/amigos, agora figuram como ferozes desafetos que fazem confronto direto ardiloso, com acusações recíprocas de fraudes e corrupção, transformando o cenário eleitoral num verdadeiro coliseu romano à moda maranhense. Isto já tem tempo. No jogo político uma disputa hostil nunca se encerra quando se quer, pois os efeitos colaterais do choque de interesses sempre deixam marcas profundas que muitas vezes não cicatrizam. Neste sentido, Flávio Dino achou que mesmo fora do governo do estado ainda estaria no controle político do Maranhão, mas Brandão preferiu ser o protagonista do governo e ditar os novos rumos do poder no Palácio dos Leões. Dino resolveu agir…e agiu. Todos os inquéritos envolvendo Carlos Brandão no STF estão sob sua responsabilidade e usa isto a seu favor. Brandão resolveu agir também eliminando todos os aliados possíveis do dinismo que tinham cargos no governo. Ou seja, foi a retaliação da retaliação.

Não sabemos os desdobramentos deste braço de ferro, mas está claro que os interesses eleitorais de ambos os grupos falam muito mais altos que qualquer coisa. É possível até mesmo um, digamos, entendimento de ocasião que agrade a todos, mesmo diante de qualquer escândalo que paire nos noticiários, desde que todos possam continuar usufruindo das benesses do poder.

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