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Ex-marido de Maria da Penha e mais 3 viram réus por ataques à ativista

A Justiça do Ceará aceitou hoje denúncia do MP-CE (Ministério Público do Ceará) contra quatro suspeitos de integrarem uma rede organizada para atacar a honra da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes e descredibilizar a lei que leva seu nome.

Entre os novos réus estão o ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia Viveiros, já condenado pela tentativa de homicídio; e o influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva.

Também foram denunciados Marcus Vinícius Mantovanelli e Henrique Barros Lesina Zingano, respectivamente produtor e editor do documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”.

Segundo o Núcleo de Investigação Criminal do MP-CE, o grupo utilizou perseguições virtuais, notícias falsas e um laudo de exame de corpo de delito forjado para sustentar a tese de inocência de Heredia.

Stalking e misoginia

A investigação aponta que os denunciados praticaram crimes de intimidação sistemática virtual (cyberbullying) e perseguição (stalking).

O influenciador Alexandre Paiva teria se deslocado até a antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza — local onde ocorreu o crime em 1983 — para gravar vídeos depreciativos e buscar informações sobre o paradeiro da ativista.

Mensagens trocadas em grupos de WhatsApp revelaram que o grupo planejava estratégias para “incomodar” a farmacêutica.

Em um dos áudios, Paiva relatou ter visto uma senhora em uma cadeira de rodas no Senado e lamentou não ser Maria da Penha: “Eu ia fazer algumas perguntinhas para ela!”, ao que Henrique Zingano respondeu com risadas,

Para o MP-CE, as condutas visavam causar perturbação à integridade psíquica da vítima, sugerindo que sua história de sobrevivência seria uma “fraude”.

Laudo adulterado
Um dos pontos centrais da denúncia é o uso de um documento falso no documentário produzido pela Brasil Paralelo S/A.

A Pefoce (Perícia Forense do Estado do Ceará) comprovou que o auto de exame de corpo de delito original de Heredia passou por uma montagem.

O documento adulterado incluía lesões inexistentes no pescoço e no braço do ex-marido para corroborar a versão de que ele teria lutado com supostos assaltantes na noite do crime, em vez de ter atirado em Maria da Penha enquanto ela dormia.

Lucro com desinformação

A investigação também apontou que o grupo buscava lucrar com a campanha de ódio.

As quebras de sigilo bancário mostraram que Alexandre Paiva recebia pagamentos de plataformas como Google e Meta, além de possuir investimentos em criptomoedas, apesar de pedir doações aos seguidores.

A operação, batizada de “Echo Chamber”, resultou na suspensão de perfis nas redes sociais e na proibição de contato dos investigados com a ativista.

Devido à gravidade das ameaças, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

A reportagem busca contato com as defesas de Marco Antônio Heredia Viveiros, Alexandre Gonçalves de Paiva, Marcus Vinícius Mantovanelli e Henrique Barros Lesina Zingano para que se manifestem sobre a aceitação da denúncia e as acusações do MP-CE. O espaço segue aberto para manifestações.

 

UOL

 

 

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