O Centrão é o grande problema do Brasil
Com os diversos escândalos de corrupção do atual governo Lula o Centrão ratifica seu papel de principal responsável pela crise institucional no Brasil

A história política do Brasil sempre foi ponto de muita discussão e eivado de controvérsias bem difíceis de digerir. Ela foi se formando por consequência de um passado republicano que se originou de um golpe contra a monarquia nacional, e desde então as coisas foram se construindo por meio da força de grupos sem qualquer preparo ou conhecimento do fazer/dever político clássico. Nossos agentes políticos são frutos de uma classe econômica que bancou a aposta da República Velha, que passaram a controlar as decisões políticas do país e foram se adaptando às dinâmicas relacionais que construíram nossa história, classe e partidos políticos que temos hoje.
O resultado mais incômodo de tudo isso é o que ficou conhecido como Centrão. Historicamente surgiram na Constituinte de 1988, mas suas práticas são o notório retrato da chicana herdada dos poderosos financiadores da trupe de Marechal Deodoro da Fonseca. Constituem um bloco parlamentar que não tem espectro ideológico definido, ou seja, não são Direita nem Esquerda, nem perpendicular e nem paralela, mas sim “Brasil” (como preferem se classificar). É uma boa saída retórica para fugir dos rótulos políticos, mas que explicam nada em termos conceituais e, sobretudo, em termos de prática.
O Centrão sempre esteve num lugar cômodo dentro da política nacional, mesmo que não sejam maioria no Parlamento. No entanto, constituem um número significativo para as decisões políticas mais relevantes que determinam as diretrizes e consequências do futuro do país. Alguns analistas políticos os definem como “suprapartidário” por conta de se valerem da incômoda troca de favores: apoio político em troca de cargos e verbas. Ou seja, é o retrato do velho fisiologismo político brasileiro. Com o tempo tornaram-se a real balança de governabilidade do Executivo nacional que faz política através do “toma lá, dá cá”, que descredibiliza e macula a política brasileira, fortalecendo a desesperança da população por dias melhores.
A Esquerda nunca teve maioria de fato no Congresso nacional, nem nos estados e municípios, pois sempre ocuparam um pouco mais de 20% das cadeiras legislativas no país. Então como conseguiram força a ponto de alcançar o Poder e governar o país por tanto tempo? A resposta é simples: porque se aliaram com o Centrão.
Com o ressurgimento da Direita brasileira ampliou-se o leque de ofertas e o Centrão seguiu ditando as regras do jogo no Parlamento. No entanto, com a era digital onde as informações chegam ao cidadão diretamente (sem intermédio de terreiros), as pessoas foram conhecendo de fato quem são esses políticos do Centrão. O cenário foi mudando e a facilidade dos velhos acordos de bastidores foi ficando mais complicado, pois, de modo geral, o vetor moral conservador falou mais alto em algumas mesas de reunião para conseguir apoio político.
O Centrão é o real problema da Política brasileira sim! É amoral por natureza, pois relativiza a nobreza e a virtude em nome do Poder. Para esta casta fisiológica princípios e ética são valores que tem validade dependendo do contexto em que ou estão inseridos ou são invocados (e alguns até tratam como “egoísmos” de moralistas de plantão avessos ao diálogo institucional). Isto só vai ser mudado quando mudarmos a mentalidade do brasileiro médio, valorando a alta cultura, vivenciando valores éticos e morais no dia a dia de modo a criar novos quadros políticos de excelência comprometidos com a mudança real e o império das Leis.
Enfim, o cenário sinaliza que estamos caminhando para esta mudança, apesar de não ser imediata. Até lá, ainda vamos ter que conviver por algum tempo com este fenômeno da Nova República que instrumentaliza a Política através de sofismas travestidos de defesa da democracia.



