Moraes suspende visitas de Flávio por 90 dias devido à carta de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu as visitas do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por 90 dias.

O que aconteceu
Suspensão foi motivada pela carta escrita por Bolsonaro e lida por Flávio nas redes sociais. A leitura ocorreu em uma live no último sábado. Com isso, o senador ficará sem acesso direto ao pai até o primeiro turno das eleições.
Decisão vem em momento de disputa entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A briga entre os dois, segundo a ex-presidente do PL Mulher, ocorreu após ela fazer críticas da aliança do PL Ceará com Ciro Gomes, no que ela considerou como uma “punhalada”. Flávio pediu desculpas públicas à madrasta e disse que não teve a intenção de ofendê-la.
Flávio desrespeitou a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de usar redes sociais, seja ele mesmo ou por intermédio de terceiros. “Não há dúvidas, portanto, de que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”, disse Moraes.
Ministro deu 48 horas para defesa de Bolsonaro se manifestar sobre possível desobediência a ordem judicial. Os advogados também devem informar se Bolsonaro tinha ciência da divulgação da carta nas redes sociais.
Flávio pode ter ter feito propaganda eleitoral antecipada com “pedido explícito de voto”. Moraes mandou o MPE (Ministério Público Eleitoral) apurar se o teor do vídeo configura desobediência às leis eleitorais.
Em março, Flávio conseguiu acesso permanente ao pai, que ainda estava preso na Papudinha, após ser nomeado advogado dele. Pela lei, advogados têm direito a visitar seus clientes a qualquer hora do dia, de forma reservada e sem necessidade de aviso prévio.
O acesso a Bolsonaro ajuda nas negociações eleitorais. Dias antes das convenções partidárias, o senador está terminando a montagem das chapas estaduais. Ele tenta atrair partidos do centrão, como União Brasil, PP e Republicanos —que negou ter fechado apoio a Flávio.
Moraes apontou reincidência de Flávio
Flávio é “reincidente em sua conduta desrespeitosa” as decisões judiciais, criticou Moraes. O ministro lembrou que, em agosto de 2025, Flávio divulgou nas redes sociais a participação de Bolsonaro, por telefone, em manifestações no Rio. Horas depois, Flávio apagou o vídeo alegando “insegurança jurídica”.
Na ocasião, um vídeo de Bolsonaro falando aos manifestantes reunidos em Copacabana foi publicado no perfil oficial do senador. “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”, disse o ex-presidente.
No dia seguinte, Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprir medidas cautelares. Para o ministro, a divulgação de imagens do ex-presidente com tornozeleira eletrônica e a aparição pelo celular em manifestações afrontaram a decisão do STF.
Carta de Bolsonaro
Em carta manuscrita entregue a Flávio, Bolsonaro pediu “unificação”. “Saudoso do contato com o povo, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.”
Senador disse que o pai manifestou apoio à pré-candidatura do filho. “Meu pré-candidato, creio [que] o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para paz e a prosperidade”, leu Flávio. “Juntos, tudo faremos pela nossa pátria.”
Na ocasião, pré-candidato disse que havia encontrado Bolsonaro naquele dia. “Estive no meu pai hoje pela manhã, tenho direito de visitar meu pai às quartas e aos sábados, conversando e atualizando como foi a semana”, afirmou. “Ele manda esse recado de que está firme e forte, consciente do que está acontecendo.”
uol



