Pedido de afastamento de Felipe Camarão piora situação do PT no Maranhão
O pedido do MPMA abala o grupo dinista e expõe negativamente Camarão, desapontando aliados que buscam uma chance de resgatar a força eleitoral petista, que parece estar cada vez mais longe

O MPMA ingressou com um pedido de afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT-MA) e de afastamento cautelar dos policiais militares Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento, ambos lotados no Gabinete Militar do Governo do Estado. A notícia circulou no último dia 20 deste mês, e tem como fundamento um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que aponta indícios de crimes de lavagem de capitais e infrações penais relacionadas a administração pública. Segundo o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, o pedido busca evitar interferências na investigação, diante do risco de acesso a provas e influência sobre testemunhas, uma vez que a permanência do vice-governador e dos demais agentes públicos envolvidos nas investigações nos seus respectivos cargos pode comprometer diligências em curso.
A notícia caiu como uma bomba nos bastidores da política no estado, aumentando as tensões entre brandonistas e dinistas, e comprometendo os sonhos de uma candidatura “puro-sangue” do PT ao governo do Maranhão. Como a política é muito volúvel, a situação de Camarão parece favorecer o candidato do grupo Brandão (Orleans), inviabilizando um possível palanque ao lado de Eduardo Braide e moldando um cenário eleitoral que forçaria os lulistas maranhenses a repensarem quem irão apoiar nestas eleições. Porém, é sabido que haverá uma reação do grupo de Camarão, talvez via STF (Flávio Dino), de modo que o vice-governador do Maranhão continue a batalha por sua candidatura ao Palácio dos Leões.
Felipe Camarão, como era de se esperar, criticou duramente o pedido do MPMA em nota divulgada nesta segunda-feira (23), chamando a solicitação de “esdrúxula”, com acusações “infundadas e irresponsáveis” e que acionará o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicam que o vice-governador do Maranhão é suspeito de operar um amplo esquema de lavagem de dinheiro, de movimentar valores milionários com “características atípicas” através de terceiros, incluindo agentes da segurança do governo. Os dados coletados nas investigações descrevem repasses, depósitos em espécie e transferências com grande número de beneficiários. Indicam ainda que Camarão recebeu R$ 1,72 milhão em créditos salariais e outros R$ 4,64 milhões em créditos de outras origens.
Um dos envolvidos na investigação, o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda teria movimentado R$ 9,6 milhões entre 2023 e 2024 (cuja renda mensal é cerca de R$ 20 mil). Já o policial militar Alexandre Guimarães Nascimento, outro investigado do caso, movimentou mais de R$ 10 milhões em contas bancárias, o que destoa de sua renda declarada. Ele também aparece como responsável por transferências ao vice-governador e por depósitos em espécie em sua conta.
O PT contava com a imagem de “bom moço” de Camarão para referendar uma candidatura do partido e demarcar seu espaço de força no estado. No entanto, a situação expõe um lado ainda obscuro de Camarão, que macula sua figura política, definhando ainda mais o intento de resgatar uma força petista para disputar o governo do estado neste ano.



