PF: Acionistas são alvos e Justiça bloqueia R$ 54 bi por fraudes nas Americanas
A Justiça ordenou o sequestro de bens de até R$ 54 bilhões dos investigados no caso Americanas. A decisão é da 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

Entre os alvos da operação da Polícia Federal realizada na manhã de hoje estão Paulo Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira, que é um dos acionistas da empresa. Além de Paulo Lemann e Sicupira, são alvos de busca pessoas ligadas ao Bradesco, Itaú e Santander. Os alvos dessas instituições financeiras são: José Rudge (Itaú), Gustavo Balassiano (Itaú), Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco), André Almeida (Santander) e Alexandre Abdo (Santander).
A nova fase da operação é um desdobramento da investigação sobre o rombo na contabilidade da empresa.
Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os crimes investigados são manipulação de mercado e associação criminosa.
De acordo com a investigação, os acionistas de referência tinham conhecimento sobre as operações de Verbas de Propaganda Cooperada (VPC) e Risco Sacado, que estão no centro da fraude contábil das Americanas.
O VPC envolve a concessão de créditos por parte dos fornecedores aos varejistas e, como explica a PF em seu relatório das primeiras fases do caso Americanas, podem ser utilizadas para abater dívidas com o fornecedor em questão, culminando em uma melhora nos resultados financeiros da empresa.
“Criavam-se lançamentos contábeis fraudulentos, referentes a VPC inexistentes. O registro contábil era efetuado sem qualquer documentação de suporte. Documentos falsos para amparar esses lançamentos contábeis seriam criados, quando e se necessários, apenas para atender eventual demanda de comprovantes pela auditoria externa”, disse um dos delatores do caso Americanas.
O Risco Sacado, por sua vez, é uma operação normal de empresas que atuam no varejo em que se faz um empréstimo com um banco para pagar o fornecedor.
A empresa, então, ganha condições melhores para gerir seu fluxo de caixa. A fraude nas Americanas consistia em lançar incorretamente essa informação no balanço.
A operação de hoje também investiga a participação dos bancos na fraude das Americanas.
O ex-diretor financeiro das Americanas Fabio Abrate assinou um acordo de colaboração premiada com investigadores em que apontou a participação de integrantes de grandes bancos. Segundo ele, os bancos foram decisivos para a “perpetuação da fraude”.
Abrate explicou no acordo como se dava a relação com os bancos e como as Americanas conseguiu omitir de documentos enviados às auditorias informações sobre o risco sacado.
Segundo ele, os funcionários dos bancos e diretores das Americanas atuaram de forma intencional para ocultar do balanço da empresa as dívidas do risco sacado.
Em nota, as Americanas afirma que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. “A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, diz o texto.
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