VÍDEO – Nepal e Tibete buscam 1.300 pessoas após avalanche; nº de mortos vai a 362
Ao menos 362 pessoas morreram após enchentes repentinas atingirem áreas turísticas na fronteira do Nepal com o Tibete na manhã de quarta-feira (horário local, madrugada no Brasil). A inundação deixou mais de 1.300 pessoas desaparecidas, sendo 826 no Nepal, a maioria estrangeiros, e 558 na região do Tibete.

A polícia nepalesa afirmou que o número de mortos deve ultrapassar os 359 confirmados até o momento. “Esse número vai aumentar, já que retomamos as buscas e esperamos encontrar mais corpos”, disse o porta-voz da polícia, Abi Narayan Kafle, à Reuters.
Quase 500 estrangeiros estavam entre as 826 pessoas desaparecidas no Nepal, disseram a polícia e autoridades do turismo. Entre os turistas desaparecidos, provenientes de mais de 20 países, 177 eram da Índia, 63 dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 da Grã-Bretanha e 25 do Canadá.
O Ministério das Relações Exteriores da Malásia afirmou que 55 cidadãos estavam incomunicáveis, mas não houve confirmação oficial de vítimas. Equipes de resgate no Nepal usaram helicópteros para buscar sobreviventes e lançar suprimentos.
As equipes de resgate no Nepal recuperaram ao menos 359 corpos, informou a Polícia do Nepal em boletim na manhã de quinta-feira (horário local; noite de quarta no Brasil). Os corpos foram recuperados em Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Chitwan, Gorkha e Tanahun.
41 pessoas tiveram ferimentos e estão sendo tratadas em diferentes hospitais do país. São 3.318 agentes empenhados nos resgates das vítimas.
A China afirmou que o número de mortos permanece em três. O número de desaparecidos no condado de Gyirong, no Tibete, subiu para 558, informou nesta quinta-feira a emissora estatal chinesa CCTV, incluindo 260 estrangeiros. O Tibete é uma região autônoma da China e fica situado a sudoeste do país.
Imagens de televisão mostraram casas destruídas pelas águas da enchente, carros flutuando e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza. Testemunhas relataram à Reuters que as águas engoliram vilas inteiras.

Bloco de gelo que despencou de geleira pode ser causa de inundação no Nepal. Pesquisadores estimam que o rompimento ocorreu a cerca de 65 km ao norte de Katmandu e que o fluxo seguiu em direção ao rio Bhote Koshi, na fronteira com o Tibete. O bloco teria cerca de 600 m de largura e teria despencado de uma altitude próxima de 5.200 m, com queda de cerca de 1.200 m, segundo a avaliação.
Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) corrigiu informação e disse que não houve terremoto em área de avalanche no Nepal. Inicialmente, o órgão havia publicado a informação de que um terremoto de magnitude 4,4 havia sido registrado por seus sistemas pouco antes da enchente repentina. Em um novo comunicado, o USGS afirmou que o tremor reportado não existiu.
O USGS concluiu que o evento sísmico foi causado pelo colapso de uma geleira e por um fluxo de detritos. Essa situação provocou “impactos catastróficos” ao longo das áreas atingidas pelo fluxo. Segundo o serviço, análises adicionais de estações sísmicas próximas, ondas sísmicas de longo período e imagens de satélite levaram à conclusão de que o evento foi, na verdade, um colapso glacial e fluxo de detritos, e que nenhum terremoto ocorreu.

Ainda não se sabe quantos moradores locais estão sumidos. Em termos de infraestrutura, as inundações danificaram 19 pontes e 40 km de estradas. A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular rota de “trekking” de Langtang, assim como outras áreas usadas por viajantes na peregrinação hindu até Kailash Mansarovar.
Ao menos 88 pessoas foram resgatadas após as enchentes, segundo o Exército, mas centenas seguem desaparecidas. Estradas estão fechadas, e a autoridade de Gestão de Eletricidade relatou danos em várias instalações locais, incluindo barragens e usinas solares, com registro de cortes de energia.
A Cruz Vermelha destinou US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,1 milhões) para os trabalhos emergenciais. A entidade informou que a quantia será destinada ao atendimento de vítimas e para a avaliação da destruição nos locais afetados. Já o governo dos Estados Unidos prometeu fornecer US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) para apoiar as operações de resgate após os deslizamentos.
Cheia afeta fronteira com a China

Um deslizamento atingiu o porto chinês de Gyirong e interrompeu estradas, comunicações e o fornecimento de energia na região de Shigatse. O local fica perto da fronteira entre China e Nepal.
O presidente chinês, Xi Jinping, pediu a intensificação das buscas pelos desaparecidos e o reforço de sistemas de monitoramento e alerta. A medida busca evitar novos desastres após o deslizamento.
Outra enchente no rio Bhote Koshi matou nove pessoas e deixou 24 desaparecidos em 2025. O episódio foi atribuído à drenagem de um lago supraglacial no Tibete e destruiu uma ponte que ligava Nepal e China.
Nepal é área de risco para o derretimento das geleiras
O Nepal está localizado em uma área de risco para o derretimento das geleiras devido ao aquecimento global. A causa das devastadoras inundações no país ainda não está clara.
Essa avalanche provavelmente bloqueou o rio Bhotekoshi e liberou uma onda repentina rio abaixo. A declaração é do especialista Saswata Sanyal, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas em Katmandu, uma organização climática regional. “Esses são riscos em cascata”, acrescentou em entrevista à CNN, pois o que acontece nas montanhas geladas pode inundar rapidamente as cidades rio abaixo.
Embora as avalanches possam ser causadas por diversos fatores, as mudanças climáticas frequentemente desempenham um papel importante. O Nepal, na região do Himalaia, que está aquecendo rapidamente, abriga milhares de geleiras que estão derretendo e se desestabilizando com o aumento das temperaturas.
As inundações e os deslizamentos são frequentes no Nepal e em todo o sul da Ásia na temporada das monções, durante o verão no hemisfério norte. Segundo os cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência deste tipo de fenômeno.
Há possibilidade de uma nova cheia, segundo Qianggong Zhang, alto funcionário do Centro para o ICIMOD (Desenvolvimento Integrado das Montanhas). O encarregado de riscos climáticos e ambientais. “Dado que ainda há um bloco na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades advertem que poderia ocorrer uma segunda enchente”, disse à AFP.
O Nepal é particularmente vulnerável a rompimentos de lagos glaciais, afirmam os especialistas. O fenômeno é, por vezes, descrito como “tsunami terrestre”, em que as poças de água formadas pelo derretimento das geleiras ficam tão cheias que transbordam, lançando água e detritos pelas encostas íngremes das montanhas.
AFP



