
Será a primeira conversa desde o anúncio de tarifas de 25% impostas por Washington no mês passado, segundo disse ao UOL o ministro Marcio Elias Rosa, titular do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, que representará o lado brasileiro no encontro.
A reunião —e a retomada das negociações comerciais— foi acertada entre Lula e Donald Trump em um telefonema na sexta passada. Pouco depois da ligação entre os líderes, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, enviou uma mensagem a Elias Rosa dizendo ter tido orientação do republicano para reabrir o diálogo. A data para a conversa de ambos foi definida em troca de mensagens ontem.
Há no governo brasileiro ceticismo sobre os resultados dessa nova rodada de negociação, embora auxiliares de Lula vejam como positiva a janela de diálogo, mesmo que meramente protocolar.
Se não puder reverter o tarifaço de 25%, o Brasil tentará ao menos aumentar a lista de produtos nas exceções às taxas. Quanto à tarifa de 12,5%, aplicada a dezenas de países além do Brasil, o entendimento corrente é que se trata de uma medida que Washington não está disposta a negociar de nenhuma maneira.
Segundo auxiliares de Lula ouvidos reservadamente pelo UOL, na ligação telefônica da semana passada, Trump se mostrou aparentemente desinformado sobre assuntos de tensão recente entre os dois países, como os argumentos usados pelo Representante Comercial dos EUA para o novo tarifaço, como desmatamento, ou a pendência sobre o aceite (agrément) do Brasil em relação ao indicado por Trump para embaixador no país, o deputado estadual da Flórida Danny Perez.
Lula repetiu que as justificativas da autoridade comercial dos EUA para punir o Brasil são infundadas.
Na interpretação de integrantes do governo Lula, o comportamento desinformado do republicano pode ser real, mas também um lance estratégico.
Por um lado, mergulhado em uma guerra com o Irã e na disputa eleitoral de meio de mandato, ele está distante dos detalhes da relação com o Brasil, terceirizada ao secretário de Estado Marco Rúbio. Por outro, a opção por abrir canais divergentes de contato, com Trump como o “good cop” e Rubio como o ‘bad cop” na dinâmica com o atual governo brasileiro, é também uma marca do estilo de política externa adotada pelo trumpismo.
Lula e Trump conversaram por uma hora e 20 minutos e partiu do americano a pergunta sobre eleições presidenciais no Brasil. Lula afirmou que a disputa é “competitiva”e que o sistema eleitoral é “confiável”, mas não houve comentários sobre as potenciais interferências americanas no pleito.
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