Assassino do MA diz que levava propina ‘dentro do palácio’ para governador
Peça central de uma trama que mistura de corrupção a assassinato, Gilbson Cutrim, condenado a 13 anos de cadeia pelo homicídio de um empresário maranhense, disse em depoimento à Polícia Federal que levava propina para o grupo do governador Carlos Brandão (MDB) "dentro do palácio", sede do governo.

“Eu pegava dinheiro deles, dele para levar pro Carlos [Brandão], inclusive levei valores para dentro do palácio, entendeu?”, relatou à delegada da PF. Em seguidas manifestações, o governador nega com veemência as acusações.
É, inclusive, a discussão sobre a divisão de dinheiro relacionado à corrupção que coloca Gilbson na cena do crime pelo qual ele foi condenado.
O assassino disse ter sido chamado para uma armadilha, uma arapuca, pelo sobrinho do governador, Daniel Brandão, afastado do Tribunal de Contas do Estado pelo ministro Flávio Dino, do STF, nesta segunda (17).
Na versão de Gilbson à PF, a vítima do homicídio estava armada, era um pistoleiro conhecido em São Luís e, para não morrer, ele decidiu atirar antes. “Eu atirei. Todos os tiros foi pela frente [sic]. Aí eu fugi e, nessa hora que eu que eu saí desesperado, o Daniel me liga, ‘Cara, tu é doido e apaga tudo’, tal. Eu disse: ‘Rapaz, porra, tu me levou, tu me chamou pros caras me matar, Daniel [sic].'”
Outro lado
Daniel Brandão nega todas as acusações. “Reafirmo, de forma serena e categórica, minha absoluta inocência e minha confiança de que a verdade dos fatos será devidamente esclarecida. Desde o início, sempre estive e continuo inteiramente à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, tendo, inclusive, peticionado espontaneamente nos autos, colocando-me à disposição para ser ouvido”, informou em nota.
O governador Carlos Brandão divulgou um vídeo no fim de semana em que rechaça a pecha de “chefe de organização criminosa” e questiona a tramitação do caso no Supremo. Seus advogados, em nota, dizem que há “manifesta inconsistência nas imputações”.
“A Constituição Federal atribui ao Superior Tribunal de Justiça competência para processar e julgar Governadores de Estado nos crimes comuns. A instauração e a supervisão, pelo Supremo Tribunal Federal, de investigação dirigida contra autoridade submetida à jurisdição originária do STJ configuram, portanto, usurpação de competência constitucional e violação da garantia fundamental do juiz natural.”
Carlos Brandão, que chegou a ser vice de Flávio Dino quando este governou o Maranhão, hoje vive uma disputa ferrenha com o grupo que antes dava suporte político ao ministro.
Aliados de Brandão reclamam de perseguição política e indicam que vão trabalhar para questionar a relatoria de Dino no caso. O ministro do STF, em notas já publicadas pelo gabinete, afastou a hipótese de suspeição.
A defesa, que há mais de 01 (um) ano tenta sem êxito acesso às investigações sigilosas, examinará oportunamente os atos praticados e adotará todas as medidas constitucionais e legais cabíveis para restaurar as garantias do juiz natural, do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e do sistema acusatório, diante da simultânea usurpação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça e das atribuições constitucionalmente reservadas à Procuradoria-Geral da República.
– Defesa do governador Carlos Brandão, em nota
UOL



